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| Galeria Juana de Aizpuru Foto: ArteMadrid |
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Fim de semana de Inaugurações Simultâneas em Madrid, Lisboa e Porto
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Makearevolution: 5 de Agosto na Casa das Artes de Tavira
Um projeto iniciado no ano 2004 é agora redesenhado para a Exposição "Declínio do Mundo pela Magia Negra" que estará patente entre os dias 4 e 24 de Agosto de 2012 na Casa das Artes de Tavira. A plataforma do projeto chama-se Makearevolution e este é o "manifesto":
"A plataforma Makearevolution convida todos os interessados a elaborar e enviar declarações revolucionárias partilhando as suas principais inquietações e preocupações sobre temas como a cultura, poder, trabalho, política global/local, meio ambiente, economia, questões pós-sociais, etc.
O objectivo é explorar as relações entre a arte e as atuais tendências políticas e culturais na economia e na sociedade contemporânea, entendendo a revolução como um fenómeno cultural em potência, abrangente, explorando as conexões entre os sistemas da arte e as ideologias revolucionárias.
Makearevolution* ocupa-se com temas relacionados a diferentes níveis, abraçando sinteticamente as correntes atuais das discussões em torno da democracia. Principais questões a ter em conta: de que modo as revoluções e seus formatos, historicamente, se têm propagado a favor - ou reagido contra - os discursos da modernidade, e se um alto nível de consciência estilística ou "estética" é central para a criação e reinvenção de movimentos revolucionários mais efectivos.
A lista resultante das declarações enviadas, continuamente actualizada online [www.makearevolution.org] serão reproduzidas em suportes habitualmente usados nas manifestações (bandeiras, cartazes, faixas ) sendo igualmente transcritas para suporte áudio e reproduzidas por megafone.
No dia 5 de Agosto a revolução resultante das contribuições sairá para as ruas em Tavira (concentração na Casa das Artes de Tavira, pelas 19h). [enviar declaração]"
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Fim de semana de Festa na Fundação de Serralves do Porto
É já amanhã, a Fundação de Serralves organizará um novo Serralves em Festa. Serão 40h sem parar de música, dança, arte, teatro, performance, workshops, cinema, fotografia, etc. No total serão mais de 220 eventos concentrados entre os dias 2 e 3 de Junho, e que se realizarão em três zonas distintas: os espaços da própria Fundação, o Centro Histórico da cidade do Porto e o Aeroporto Francisco Sá Carneiro.
Exposições
No que diz respeito a exposições, esperam-nos algumas propostas interessantes. A primeira delas é a exposição "To Whom Who Keeps a Record" do artista francês Mathieu Kleyebe Abonnenc. Trata-se da primeira exposição deste artista em Portugal que tem como tema os movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas em África, nomeadamente Cabo Verde e Guiné-Bissau. Nesta exposição, Mathieu apresenta uma serie de trabalhos inéditos pensados especialmente para Serralves, onde conviverão trabalhos de ilustração, reportagens fotográficas e filmes, como é o caso da média-metragem filmada no Porto, com a atriz Bia Gomes como protagonista.
Outra exposição a inaugurar com o Serralves em Festa é a do artista plástico Artur Barrio - "…navegações/divagações… por entre escolhos e baixios…", montada na sala central do Museu de Serralves, espaço este que, após a intervenção deste artista durante várias semanas, assume uma nova forma espacial. Barrio aplica uma vez mais uma das suas premissas conceptuais: a mistura num mesmo espaço de situações efémeras onde a vida e a arte cruzam experiências ao ponto de desafiar a própria condição do espetador. Misturando igualmente elementos orgânicos e perecíveis com textos, desenhos e fotografias, Barrio materializa as suas conceções e proporciona, desta forma, experiências derivadas do sensível e do cognitivo.
Outra proposta para este fim de semana em Serralves é a exposição dedicada ao poeta romancista francês Raymond Roussel, organizada em pareceria com o Museo Reina Sofía de Madrid. Esta exposição intitulada - "Locus Solus" - incluirá cerca de trezentas peças que resultaram da influencia deste poeta em artistas como Marcel Duchamp, Francis Picabia, Dalí, Jean Tinguely, Man Ray, Cristina Iglesias e Francisco Tropa.
"Crescimento e Cultura" é outra proposta expositiva no âmbito do Serralves em Festa. Ricardo Valentim, artista português residente em Nova Iorque, reúne nesta exposição um conjunto de cartazes, folhetos e folhas de sala produzidos por si próprio ao longo destes últimos anos, aos que anexa uma peculiar instalação denominada Content of the Lecture "Models of Democracy", onde o artista recorre aos tradicionais e obsoletos retroprojetores para recriar uma sala de aula onde se poderá ver um filme sobre o famoso teste psicológico de Holtzman: "Inkblot".
Ao mesmo tempo, e no mesmo recinto da Fundação, poderemos ver a instalação "Walls to the People", que tem como suporte gráfico as paredes da casa de Serralves, onde os graffiti típicos dos espaços públicos abandonados invadem a elegância Art Déco da arquitetura e dos jardins. (Esta exposição é também interativa para aqueles que possuam smartphone ou tablet).
Performance
Relativamente à modalidade de performance, destacamos a intervenção no Aeroporto do Porto intitulada "Blue Tired Heroes". Nesta atuação, seis performers encenados pelo suíço Massimo Furlan vaguearão pelas instalações do Aeroporto interatuando com os viajantes que partem e chegam de e à cidade, convidando-os a saltar as normas de "circulação" e de comportamento.
Outra performance com várias sessões previstas para este fim de semana é a de Mariana Bacelar, resultante do Projeto Manobras no Porto da Cooperativa de Ensino Polivalente e Artístico C.R.L., intitulada "Monopólio?". Nesta atuação, a performer usará a malha urbana da cidade, à imagem e semelhança de um jogo de Monopoly para refletir sobre os processos urbanos resultantes das ideias neo-liberalistas.
Outra interessante proposta dentro da performance é a da Academia Contemporânea do Espetáculo - "Partinturas" - um conjunto de atuações que têm como objetivo traçar um percurso pela historia da pintura, através do recurso a ícones pictóricos do nosso imaginário coletivo.
Finalmente, e nem por isso menos importante, destacamos o conjunto de atuações protagonizadas pela dupla de performers Los Torreznos (Rafael Lamata e Jaime Vallaure), onde a denúncia do social e do político será o tema central. "35 Minutos", "Energía Española Normal", El Dinero" e "El Cielo" são os nomes das diferentes ações de performance que estes artistas desenvolverão no âmbito do Serralves em Festa.
Mais informação: http://www.serralvesemfesta.com/pt/
Twitter: @serralves_twit | Hashtag: #SerralvesEmFesta
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Jugada a 3 Bandas: Lista de Galerias e Curadores
Depois de um longo período de inatividade no nosso blog devido a problemas técnicos, regressamos à rotina editorial através da atualização de uma notícia anteriormente publicada no IRMANARTE. Referimo-nos ao projeto Jugada a 3 Bandas: galerias de arte + comisarios + artistas, que recentemente anunciou a lista de galerias e comissários que participarão no projeto.
Relembrando o que mencionamos anteriormente, a edição de 2012 de Jugada a 3 Bandas, cuja inauguração está marcada para o próximo dia 14 de Abril, terá Portugal como país convidado, o que explica a procedência lusa da maioria dos artistas e comissários presentes nesta inauguração simultânea de exposições na capital espanhola.
Segundo Virginia Torrente, diretora artística de J3B, a escolha de Portugal deve-se, em grande parte, à necessidade de "criar uma maior repercussão e visibilidade internacional entre o trabalho de galerias, comissários e artistas peninsulares" abrindo desta forma as portas ao país vizinho (Portugal), do qual, afirma "parecemos não prestar muita atenção".
Tal como adiantávamos igualmente na notícia anterior, J3B 2012 contará com a participação de um total de 16 galerias de arte madrilenas, além de um grupo de comissários independentes, dos quais não conhecíamos nem os nomes, nem os seus respetivos trabalhos. Por este motivo, atualizamos esta notícia com a lista de galerias e comissários participantes, da qual fazem parte dois espaços independentes cujo trabalho se centra na curadoria de artistas em residência, algo de alguma forma novo na cidade de Madrid:
Galeria Arana Poveda - Oscar Alonso Molina
Galeria Blanca Berlín - Nerea Ubieto
Galeria Cámara Oscura - Cláudia Camacho
Galeria Distrito Cuatro - Mariano Navarro
Galeria Elba Benítez - Ricardo Nicolau
Galeria Eva Ruiz - David Armengol
Galeria Espacio Valverde - Chiquinho Guimarães
Galeria José Robles - Eduardo Hurtado
Galeria La Fresh Gallery - Guillermo Espinosa
Galeria Liebre - Tânia Pardo y Cristina Anglada
Galeria Madismad - Roberto Vidal y Luján Marcos
Galeria Moriarty - David Barro y Maria de Fátima Lambert
Galeria Raquel Ponce - Virginia Torrente
Galeria Rita Castellote - Horacio Basilicus
Galeria The Goma - José Castañal
Galeria Travesía Cuatro - Luiza Teixeira de Freitas y Thom O'nions
Espacio Independiente FelipaManuela - Susana Bañuelos y Andrea Pacheco
Espacio Independiente Noestudio - Noestudio
A inauguração simultânea do dia 14 de abril, por sua vez, terá início às 12h e prolongar-se-á durante toda a tarde até às 20h30. Ao longo desta jornada de apresentação de trabalhos, os visitantes poderão percorrer as diferentes galerias da cidade, traçando e escolhendo o seu próprio percurso.
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Após "Memória e Destruição"...*
(...) Do outro lado do jardim, uma segunda terra coincidiu com este tecido de alternatividade, a casa nº 66, Praceta do Jardim de S.Lazaro, exposição de Fernando Sebastião “Não há propostas criativas”. O edifício em remodelação onde vários artistas e outros têm vindo a instalar os seus ateliês. Em exposição encontravam-se dois trabalhos: Meio calendário de 2012 e Vala comum.
Vala comum aproveita a estrutura arquitectónica em transformação, um ateliê partilhado por três artistas plásticos, sapatos vagueiam, neste cenário de escombros: o que pode restar da finitude humana? Sapatos... Movimentam-se e têm a sua própria vida, não se sabe para onde vão, electrizados por um motor são o reflexo dos dias de hoje...”Traçam percurso sinuosos ou até tortuosos a que todos estamos sujeitos.” (F.S.)
Meio calendário de 2012 – Objecto que obriga a uma rotina onde se encontram registos fotográficos, realizados por Fernando Sebastião, a jovens artistas, estudantes e outros, nos seus ateliês, tendo diferentes tipos de “trabalhos que não só a produção artística”, para poderem fazer face às leis da sobrevivência.
-IRMANARTE - Porquê "Meio calendário" e não um calendário?
-F.S. - “O calendário de parede sempre foi um "meio" pobre enquanto veículo de imagens, nem sempre associado às melhores práticas ou mensagens, ocupando um lugar mais ou menos marginal, por exemplo os calendários com mulheres nuas, pendurados em muitas oficinas, barbearias e camiões portugueses. Este comporta em si uma carga de esquema/grelha organizativa, que se impõe como matriz onde tudo tem de encaixar. Trabalha-se de "tantos a tantos"; recebe-se dia "tantos";; até ao dia não sei quê... tem que se pagar a electricidade, depois a água e etc...despesas e mais despesas. Uma série de obrigações e pressupostos a que os artistas não estão ilesos encaixando-se perfeitamente nesta história da condição do jovem artista na actualidade. Meio-calendário – “porque estamos em crise, e não há financiamentos a longo prazo nem orçamentos avultados. Assim faz-se metade agora, se vender, faz-se a outra metade. Também não se podem fazer grandes planeamentos a longo prazo, por isso, metade de meio calendário, chega!” (fernandosebastiao.net)
*Artigo relacionado com: "Memória e Destruição", percursos alternativos no Porto.
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"Memória e Destruição", percursos alternativos no Porto.
A terra de ninguém / Nobody Land / A new body land
"Tempo de antes e tempo de agora"
"E tudo é tempo agora"
(T. S. Eliot - Quatro Quartetos BURNT NORTONT, parte III e parte V)
O “património arquitectónico” sucede-se ao “património humano”. Ilhas, o casario, território abandonado mas populado por pessoas que entram e saem de pequenas mercearias, “tascas” e, simultaneamente, permanecem quietas nas soleiras das suas portas saboreando o sol de Inverno e as escarpas do Rio Douro.
Circuitos artísticos alternativos rompem na paisagem. Na “terra de ninguém”, para lá das muralhas fernandinas, (onde outrora se iniciou o alargamento da cidade): Fontainhas, Bonfim, Jardim de S. Lázaro, Avenida Rodrigues de Freitas...Movimentos circunspectos serpentearam a casa número 295, na mesma Avenida, no dia 28 de Janeiro de 2012, com a apresentação da exposição: Memória e Destruição.
Um colectivo de “diversas áreas artísticas” reuniu alguns dos seus trabalhos com o fim de os expor num espaço desabitado – casa com um piso térreo, uma espécie de loja ladeada por dois vãos de acesso, seguindo-se os três pisos e os dois últimos marcados por varandins, com uma
fachada guarnecida, por um aparelho petreo e azulejo monocromado azul e no seu interior... o passado, o presente e o futuro...
Na “memória” destes artistas ficaram as paredes revestidas a papel colorido, lembrando outras épocas, o chão de linóleo, móveis, o cheiro a mofo, a sujidade e o entulho. O efeito da “destruição” dirigida por este colectivo deu lugar a um novo espaço e a um novo tempo. Demolição, deslocação, pintura, transformação que deixou resíduos do que foi e o seu ressurgimento.
Na exposição teceram-se várias linhas entre a tradição e a actualidade. Os fios escultóricos conduziram à verticalidade do edifício, transmitindo um carácter de unidade, entre as várias obras, (instalação realizada pelos Bafo de Peixe, do Piso Térreo ao Piso 3). Não se construiu a “pausa” mas sim, o sentido da sua presença como em qualquer lugar habitado: A pauza de Patrícia Cardoso. Escutaram-se passos de renovação nos registos fotográficos e na sua dissolução, que preencheram corredores e salas, como foi o exemplo das fotografias de Tiago Casanova a partir de negativos estragados – Lost Found and Vice Verça (piso 3), continuando da realidade para irrealidade, completaram-se com os trabalhos Luís Azeredo Ilhas de sabor Tropical (piso 2) e José Pires, Suposição de memórias (piso 0).
A música surgiu por toda a parte: Dj’s Blast, Illegal, Thundercuts,Das Monstrum, a que se juntou o grafitti proposto por Maniaks e colectivo Rua, numa das salas (Piso 1) – Memória destrutiva – envolve toda a parede onde permanecem os vestígos de desfragmentação. O tema encara acumulação de lembraças e construções evidentes que povoam o cérebro e sua constante necessidade de as romper e partir do zero.
Os desenhos da cidade tornam-se ausentes, apenas esquiços, em Memórias da Cidade, de André Cardoso, porque nada é tido como certo neste lugar que convida à (des)construção, instalação de Maria Tabulo e Sara Ribeiro, apelando ao público para uma nova edificação, recorrendo a caixotes, molde para a construção de um novo mobiliário ou de um objecto escultórico, quem sabe, material pronto a ser trabalhado.
Uma luz em trajectória contrasta com a parede branca, pintura de Gil Madeira, número 295, primeiro esquerdo, opondo-se a as coisas de Patrícia Figueiredo num enredo figurativo.
Materiais pobres, reutilização de objectos como os vinis dos Maniaks e esculturas em cartão do colectivo Rua (Piso 1 e 2) perfazem os corredores seguindo-se as Ilustrações de Don´t Love (Piso3).
Escutam-se silêncios, dois amantes, num amparado desequilíbrio, que quase que se tocam, entre o fogo e volatilidade do branco, obra Leda e o Cisne (Instalação de Maria Tabulo, Piso 3), convida à intimidade e ao perigo de uma destruição eminente.
“No seguimento de um corredor encontra-se uma sala onde jazem as cinzas, restos duma obra e uma espécie de mausoléu sobre um plinto perpetua um nascimento, From de same they became another, instalação de Hugo de Almeida Pinho…
No culminar desta exposição, o fim, num contínuo movimento, nas águas furtadas apresenta-se um cenário que podia ser uns minutos após a guerra: um quarto em permanente mudança (um estendal, um colchão, e um armário) e uma infinita luz completa a instalação Le champ, (Hugo de Almeida Pinho) um enquadramento fotográfico (a sala de pintura das FBAUP, palco da procura que corrompe a narrativa de anti-territorialidade).
A exposição teve a duração, exactamente, de um dia… para que a memória não “congelasse o tempo” (Instalação de Maria Tabulo, Reprodução, Piso 3) dando espaço à sua destruição, e para que o momento vivido pelo público fosse uma variável constante da experiência, que não se repete, do “aqui e “agora” com que é possível cruzar a obra de arte. Múltiplas terão sido as sensações dos visitantes.
A divulgação do evento teve um período muito curto, tendo-se utilizado meios como o cartaz e a internet. Para todos os artistas que participaram foi uma surpresa a adesão das pessoas que ali chegavam. A casa estava cheia, com um programa diversificado que durou até à meia-noite.
Memórias e Destruição perpetuar-se-á pela cidade indo ao encontro de caminhos semelhantes…
Vídeo das intervenções disponível na secção Favoritos da nossa página YouTube.
Continuação em Após "Memória e Destruição"...
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Novas Inaugurações Simultâneas no "Quarteirão das Artes" do Porto
No passado sábado, 21 de Janeiro de 2012, assistimos a mais uma jornada de Inaugurações Simultâneas na famosa Rua de Miguel Bombarda do Porto. Como sempre acontece nestes dias, o evento contou com bastante animação, muitos visitantes e, claro está, muitas propostas criativas por parte das galerias e dos respectivos artistas. Uma vez mais passámos por lá e seleccionámos aquelas mostras que nos parecem mais interessantes. Aqui vai um breve resumo…
| Cartaz das Inaugurações Simultâneas. Foto: IRMANARTE |
Começando por uma das Galerias mais veteranas da cidade, a Galeria 111, deparámo-nos com uma interessante exposição do artista lisboeta, nascido em Moçambique - Pedro Gomes - intitulada "Id". Nesta mostra, a temática derivada de imagens quotidianas do mundo do consumo escolhida pelo artista, ajuda a reflectir em torno à ideia freudiana do Ego e sobretudo da fantasia derivada do exercício da ficção como necessidade humana indispensável.
Na Galeria AP'ARTE foi possível assistir a uma dupla inauguração. A primeira delas foi a do artista plástico Nuno San-Payo, filho do famoso fotógrafo do mesmo apelido, intitulada: "Incursões Pictóricas"; onde este artista, contrariando a ideia do "big is beautiful", apresentou uma selecção de telas de reduzidas dimensões ("mais apropriado à crise", afirma), povoadas de figuras humanas retratadas "no anonimato e sem espectáculo…" Numa tentativa de realçar os gestos e as atitudes convencionais do indivíduo. A segunda destas exposições deveu-se, por sua vez, à pintora Silva Lima que, com uma exposição intitulada "História D'uma Vida", retratou estados de alma, histórias e recordações pessoais, num conjunto de composições pictóricas formadas por fragmentos de imagens estrategicamente colocados no conjunto, recriando desta forma um ambiente universal e poético.
"From Florence with Love" do pintor Jules Maidoff foi a proposta apresentada pela Galeria Arthobler para este dia. Nesta mostra, Maidoff, reflectindo orgulhosamente as suas raízes russas e judaicas, recriou um universo irreal pontilhado de referencias directas à tradição humanista europeia, onde cada tela, através dos personagens retratados, narra uma historia diferente.
Algo diferente à pintura de Maidoff foi, no entanto, a proposta apresentada pela famosa Galeria Fernando Santos. Desta vez, o seu amplo espaço expositivo enche-se de um conjunto de obras recentes do veterano artista conceptual português Gerardo Burmester, intitulada: "2011, Alguns Trabalhos Revisitados". Burmester, percursor do conceptualismo e da performance durante a década de 70 do século XX e membro de grupos artísticos como Puzzle e ex-director do Espaço Lusitano do Porto, propõe-nos uma aproximação às técnicas e materiais utilizados desde sempre nas suas obras, através de uma selecção de trabalhos de marcado minimalismo.
Completamente distinto é, no entanto, o trabalho apresentado por Daniel Melim na Galeria Nuno Centeno. Nesta mostra, Melim produz um conjunto de obras pictóricas usando uma técnica inovadora e peculiar baseada na representação de objectos sobre uma película transparente ("perecida às bóias da praia", afirma), cujo processo de execução faz lembrar um perspectógrafo renascentista. O resultado são acetinadas telas que recordam o brilho do papel fotográfico, onde as figuras anteriormente pintadas na película transparente são realçadas por um fundo de azul plano previamente pintado na tela.
Na Galeria Presença, por outro lado, a proposta apresentada foi uma exposição monográfica da jovem artista Mafalda Santos que, vivendo entre o Porto e Nova Iorque, desenvolveu um conjunto de trabalhos intitulado: "On Revolution". Baseando-se no termo revolução e analisando a evolução do seu significado ao longo da história, ao mesmo tempo que faz uma clara referencia ao livro On Revolution (1963), Mafalda Santos desenvolveu nesta exposição um exercício de memória histórica em alusão à importância de documentos históricos como a Declaração Universal dos Direitos do Homem ou a Declaração de Independência dos EUA, cuja importância, entende-se, merece ser ainda mais realçada nos momentos que correm. O resultado desta reflexão é, portanto, um conjunto de trabalhos compostos de elementos geométricos e gradações de cor, que, associadas às palavras, produzem uma experiência visual sinestésica.
João Queiroz, por sua vez, preparou-nos um interessante clássico para a Galeria Quadrado Azul. Nesta mostra, Queiroz, que além de artista também é filósofo, apresentou-nos uma selecção de trabalhos de pintura paisagista realizados recentemente, onde a sua tradicional mancha pictórica dá lugar a uma pincelada expressiva de cores puras, recordando o universo técnico do Impressionismo.
Finalmente, na Galeria Serpente, Bruno Côrte foi o responsável de executar a peculiar exposição composta de obras de pintura e desenho sobre tela intitulada: "Herbarium Oficinalis". Nesta mostra, este artista madeirense recorre a descrições técnicas como a do botânico Luis Oliveira Maia, para "legendar" as "estampadas" flores que povoam a suas telas. Ditas descrições, recordam-nos a origem natural destes seres vivos, cuja essência de vida se perde na repetição da sua imagem em papéis e tecidos decorativos.
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Últimos dias da exposição de Secundino Hernández na Galeria Nuno Centeno do Porto
Depois de que a data do fecho da exposição fosse adiada para o próximo dia 18 de Janeiro de 2012, o público portuense poderá gozar de mais uns dias para ver a exposição "Raw, mind-raw" do artista espanhol Secundino Hernández na Galeria Nuno Centeno.
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| Galeria Nuno Centeno. Foto: Galeria Nuno Centeno |
Expressividade, eclectismo, virtuosidade juvenil, formas abstractas contrastando com elementos figurativos ou telas de branco minimalista em contraste com contornos negros de marcado traço expressivo, são algumas das características que identificam a obra deste pintor residente em Berlim.
"Raw, mind-raw", a primeira exposição individual deste artista em Portugal, reúne assim um conjunto de harmoniosas composições pictóricas carregadas da sua já conhecida expressividade resultante da colocação estratégica de nervosas pinceladas de cores fortes sobre fundo branco.
A necessidade de absorver as várias tradições da historia da arte, são o engenho mecânico que permite a este artista criar através da confrontação da sua própria experiência pictórica com as já realizadas ao longo da história da pintura. Desta maneira, o seu trabalho, segundo as palavras dos responsáveis desta exposição, trata-se de um exercício historicista "apontando para a arte e para a vida com um profundo sentido de individualidade e subjetividade".
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| "Digital Invitation Image". Foto: Galeria Nuno Centeno |
Secundino Hernández, nascido em 1975 e formado em pintura pela Universidad Complutense de Madrid, é detentor de uma longa lista de participações individuais por toda a Europa. Madrid, Viena, Helsínquia, Colónia, València, assim como a cidade do Porto, são alguns dos lugares nos quais este artista teve a oportunidade de expor.
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Portugal como protagonista da 2ª Edição de "Jugada a 3 bandas"
Atenção galeristas, comissários e artistas de Portugal e Espanha, no próximo dia 14 de Abril de 2012 regressa uma nova edição do projecto madrileno "Jugada a 3 bandas: galerias de arte + curadores + artistas", dedicado este ano a Portugal.
Depois de que no passado dia 2 de Abril de 2011 se realizasse a primeira edição de "Jugada a 3 bandas", na qual participaram 14 galerias de Madrid, 50 artistas internacionais, assim como cerca de 16 comissários espanhóis; chega a segunda edição deste projecto, centrado, desta vez, na inclusão de Portugal (criação de um mercado ibérico para a arte) e na busca de uma maior excelência na qualidade dos projectos de coradoria a apresentar.
Segundo lemos nas normas de participação, as galerias que pretendam participar terão que incluir na sua equipa de comissários, ou no seu conjunto de artistas a apresentar, pelo menos um interveniente de nacionalidade portuguesa. Além deste requisito, a "jugada a 3 bandas" valorará o trabalho de curadoria que relacione a cultura e a arte dos dois países ibéricos, através das suas reflexões e pontos de vista.
O objectivo, segundo a directora artística do projecto - Virginia Torrente -, "é criar uma maior repercussão e visibilidade internacional entre o trabalho das galerias, dos comissários e dos artistas peninsulares", abrindo desta forma as portas a Portugal, país ao qual, afirma, "parecemos não dedicar muita atenção".
Por outro lado, tanto o ênfase no aspecto da procura da novidade da arte emergente como a ampliação do colecionismo a nível peninsular, são objectivos a ter igualmente em conta nesta nova edição de "jugada a 3 bandas".
A selecção será feita por Virginia Torrente e a apresentação da nova edição realizar-se-á a 14 de Abril de 2012, através de uma inauguração conjunta.
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Novo Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda em Matosinhos
Boas notícias em tempos de crise. A área metropolitana do Porto conta com um novo centro de arte moderna inaugurado ontem, 14 de Dezembro de 2011, na cidade de Matosinhos. Trata-se do Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda, o primeiro centro desta instituição fora do território espanhol, e que resulta de um projecto de desenvolvimento cultural levado a cabo pela Câmara Municipal de Matosinhos designado M2C - Mar + Movimento + Cultura.
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| Cave do edifício da Câmara. Foto: Câmara Municipal de Matosinhos |
Acompanhados de protestos populares que nada têm a ver com o Centro de Arte, mas sim com o actual estado de turbulência social devido à crise económica, o actual primeiro ministro português Passos Coelho, acompanhado de um dos anteriores presidentes do governo espanhol José María Aznar e do presidente da Câmara Municipal de Matosinhos - Guilherme Pinto -, inauguraram ontem o novo Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda.
Este novo espaço, que custará ao Concelho cerca de 150 mil Euros por ano, ocupa, de momento, a antiga cave do edifício da Câmara Municipal de Matosinhos, destinado desde sempre a feiras e mostras temporais. "No futuro", segundo o autarca Guilherme Pinto, este centro será trasladado a um dos edifícios mais relevantes da antiga zona industrial da cidade (agora no centro da urbe) - a antiga Real Vinícola - um grande edifício dos inícios do século XX, actualmente em remodelação.
A presente colecção que este novo centro de arte moderna alberga conta, de momento, com pouco mais de uma centena de obras de grande relevância na história da arte do século XX. Nomes de artistas portugueses como Noronha da Costa, Alberto Carneiro, José de Guimarães e Nikias Skapinakis; acompanhados de nomes internacionais como Joan Miró, Antoni Tàpies, Pablo Serrano ou Antonio Saura, figuram nas paredes deste novo espaço que, segundo o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Matosinhos - Fernando Rocha - contará futuramente com obras de Picasso, Rembrandt e outros.
Este novo centro organiza-se assim em três núcleos expositivos: uma pequena colecção de 16 obras em forma de antologia, que representa a última fase da produção artística do pintor madrileno Gerardo Rueda; uma exposição permanente, composta por uma centena de obras pertencentes à colecção Gerardo Rueda; e um espaço para exposições temporais: actualmente ocupado com a mostra "Noronha da Costa: a transformação da imagem".
O presente Centro de Arte Moderna, juntamente com a vizinha Galeria Municipal, "filial" do prestigiado Museu de Arte Contemporânea de Serralves do Porto, consolidam a presença de Matosinhos na rota da arte moderna e contemporânea, não só da área metropolitana do Porto e do resto do país, mas também internacional. Esta nova instituição permitirá assim um maior intercâmbio com o país vizinho, efectivada através de exposições temporais em ambos centros (Madrid e Matosinhos), como é o caso da prevista mostra de autores portugueses - Augusto Gomes e António Carneiro.
O novo Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda de Matosinhos pode ser visitado de Terça a Domingo das 13h às 19h.
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| Cave do edifício da Câmara. Foto: Câmara Municipal de Matosinhos |
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Galerias de Arte em Portugal: Inaugurações no Porto e em Ponta Delgada
Não sabemos se as últimas de 2011, o certo é que a poucas semanas de acabar o ano continuam a chegar ao IRMANARTE notícias de inaugurações em galerias nacionais. Destacamos três delas: a colectiva de pintura e escultura intitulada "A Ceia" na Galeria Artes Solar de Santo António no Porto; a também colectiva, neste caso de joalharia, na Galeria Fonseca Macedo de Ponta Delgada; e a igualmente colectiva de "Arte Móvel: Quadros e esculturas de bolso", organizada pela Galería-atelier João Pedro Rodrigues do Porto.
"A Ceia" (Galeria Artes Solar Sto. António) - de 8 de Dezembro de 2011 a 14 de Janeiro de 2012
Com texto introdutório do poeta Jorge Velhote intitulado "A Última Ceia", a exposição colectiva organizada pela conhecida Galeria Artes Solar de Santo António da Rua do Rosário do Porto reunirá no mesmo espaço um conjunto de mais de 23 obras de pintura e escultura pertencentes a artistas nacionais como José Emídio, Ruy Silva, Rodrigo Costa, Alfredo Barros, Susana Bravo, Carlos Reis, Isabel Padrão, Luis Melo, Filipe Cortez, João Figueiredo, Paulo Neves e muitos outros.
"Colectiva 2011" (Galeria Fonseca Macedo) - de 8 de Dezembro de 2011 a 31 de Janeiro de 2012
Fundada no ano 2000 em Ponta Delgada, a Galeria Fonseca Macedo é já um referente no mercado nacional da arte contemporânea da insular Região Autónoma dos Açores. Com uma exposição de design de jóias da dupla Romeu Bettencourt e Carolina Brose, dita galeria encerrará as inaugurações de 2011, as quais retomará já no próximo mês de Fevereiro de 2012 com a anunciada participação na conhecida feira ARCO de Madrid.
"Arte Móvel 2011" (Galeria João Pedro Rodrigues) - de 9 de Dezembro de 2011 a 16 de Janeiro de 2012
Seguindo o mesmo esquema da proposta "Arte Móvel sobre T'Shirts" de 2010, a presente exposição colectiva de quadros e esculturas móveis que este atelier-galeria portuense escolheu para encerrar o ano de 2011, pretende ser o resultado do reto apresentado por esta entidade a cerca de 30 artistas nacionais para a elaboração de pequenas obras de arte transportáveis. A realização deste projecto e exposição deve-se em parte à contribuição da Papelaria Sousa Ribeiro que ofereceu aos artistas telas de 13x18 cm para a execução das obras.
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Galeria Filomena Soares: Exposição colectiva de artistas estrangeiros
De todas as informações de eventos e exposições que nos vão chegando ao IRMANARTE, há sempre alguma que se destaca pela sua dimensão inédita e pela qualidade das propostas. É o caso da exposição colectiva actualmente patente na Galeria Filomena Soares (Xabregas - Lisboa).
Inaugurada no passado dia 25 de Novembro de 2011 e patente até 14 e Janeiro do próximo ano, a exposição colectiva apresentada por esta galeria significa a consolidação da progressiva internacionalização desta entidade, levada a cabo ao longo dos últimos anos.
Aberta ao público há já 12 anos e com um curricullum de mais de 30 participações em feiras de arte contemporânea, tanto nacionais como internacionais, a Galería Filomena Soares constitui um espaço de visita obrigatória no circuito do comercio da arte contemporânea em Portugal e um dos maiores espaços expositivos da capital.
Ocupando a sala 2 deste amplo espaço, a presente exposição colectiva reúne um total de 12 artistas estrangeiros, na sua maioria oriundos do mundo artístico anglo-saxão que, além das suas aspirações criativas e da sua multiplicidade plástica e conceptual, têm em comum o facto de pertencerem a uma geração de artistas nascidos durante a década de 70 do século XX.
Baseada na diversidade de linguagens como sendo a melhor maneira de representar as diferentes questões e dimensões da contemporaneidade - políticas, sociais, históricas e culturais - esta exposição incide em temas como a migração, a tradição, o género, a raça, a religião, os direitos humanos ou a economia para incitar os visitantes a discutirem e a refletirem sobre o passado, o presente ou o futuro da nossa sociedade.
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| Espaço da exposição. Foto: Galeria Filomena Soares (Lisboa) |
Começando pelos alemães Julia Schmidt (1976), Katinka Bock (1976) e Philipp Goldbach (1978), tentaremos retratar brevemente os vários autores e as várias obras presentes nesta mostra, incidindo nas suas principais características formais e conceptuais.
- Começando por Julia Schmidt, nascida em Wolfen e residente em Berlim, deparamo-nos com um conjunto de obras pictóricas que ressuscitam antigos objectos simbólicos do mundo quotidiano. Valorizando e realçando estes objectos através da eliminação de pormenores ornamentais substituídos por manchas de cor plana, Julia Schmidt desperta no observador um ponto de vista ofuscado pela superficialidade predominante nas sociedades actuais.
- Percepção distinta à de Katinka Bock (Alemanha, 1976), actualmente a trabalhar em Paris, e que recorre à escultura como meio de expressão, o que através de uma estratégica colocação das obras no espaço expositivo se traduz num ambiente de inevitável comunicação entre o observador e a obra apresentada. Neste contexto, o visitante é convertido num último elemento essencial capaz de completar o conceito da instalação. Exemplo disso é Chigagostreet (2011), obra em que a artista questiona as ideias pré-concebidas de percepção visual dominantes na sociedade actual, através da instalação da réplica de um muro no chão da sala de exposições, imitando assim a sombra do mesmo.
- Ao contrário de Katinka, Philipp Goldbach recorre a meios como a fotografia para questionar as problemáticas da contemporaneidade. Baseado num universo estético de profunda tradição alemã, já que revela influencias de artistas como Thomas Struth, as fotografias de Goldbach representam um mundo de simétricos enquadramentos capazes de retratar a alma e as formas de espaços simbólicos como a sala de uma universidade.
- Distinta às percepções e às forma de expressão usadas pelos alemães Schmidt, Bock e Goldbach é a de Clemens Krauss, artista austríaco nascido em 1979 que, através de imagens de pessoas retratadas repetidamente em revistas, questiona os conceitos tradicionais de mobilidade e de identidade individual. As suas telas, cheias de "personagens" que flutuam num espaço ausente de cor e perspectiva, têm como único elemento plástico visível "pastosas" figuras formados por camadas de pintura a óleo.
- O desenho, por outro lado, é o meio usado pela checa Katerin Sedá (1977): Através de uma mostra composta por uma selecção de desenhos pertencentes à exposição realizada para a 5ª Bienal de Berlim em 2008 (Over and Over), Sedá propõe-nos uma reflexão acerca do conceito de comunidade. Na mostra de 2008, a artista checa denunciava a desigualdade sócio-económica da sua aldeia natal e a proliferação de construções cada vez mais desmesuradas. Na presente mostra podem ver-se alguns desenhos deste projecto, onde o traço minimalista reproduz planos urbanísticos e plantas de edificios, resultantes do seu trabalho de investigação.
- Fotografia, vídeo, texto e escultura são, no entanto, os meios de expressão escolhidos por Tim Lee, artista coreano nascido em 1975 que, para a presente colectiva propõe uma ecléctica instalação de obras que recriam a historia da arte e a cultura popular. Através da manipulação de ícones e factos históricos, Lee transporta-nos directamente do passado para o futuro, sem passar, contudo, pelo presente. Nos seus trabalhos, é clara a influência de artistas da história recente da arte como Rodchenko ou Dan Graham.
- Manipulando igualmente o passado histórico, mas neste caso usando o desenho e a escultura, Mariechen Danz, artista irlandesa nascida em 1980, manipula os episódios históricos através da inclusão de elementos culturais alternativos aos representados. Para Danz, os meios de comunicação são os responsáveis pela deficiente transmissão da história, pelo que é necessário corrigir este aspecto.
- Não menos interessante é o trabalho de Keren Cytter (Israel, 1977), onde, através do Video Art, tenta recriar a realidade através de um universo teatral grotesco e melodramático onde a mistura elementos documentais e de ficção é usada como questionamento das convenções do teatro clássico.
- Por outro lado, ainda que distinta mas nem por isso menos polémica é a percepção do britânico Mark Titchner (1973) que, através da instalação de elementos como caixas de luz, pinturas ou vídeos, cria um confronto entre ideias conservadoras e progressistas, onde a fé cega na ciência ou a obediência incontestável à autoridade são aspectos a reflectir.
- Paralelamente, Tonico Lemos Auad, nascido no Brasil em 1968 é outro dos artistas presentes nesta exposição colectiva cuja obra busca a reflexão da realidade. Neste caso, baseado em experiências quotidianas pouco percebidas, este artista tenta reconstruir aparições reais e imaginarias, onde a influência cultural brasileira está naturalmente presente através de elementos populares como os tradicionais talismãs.
- Finalmente, os suecos Martin Jacobson (1978) e Michael Johansson (1975) completam a constante diversidade desta mostra colectiva. Jacobson, nascido em Estocolmo (onde trabalha), estabelece uma relação entre o passado e o futuro através de pinturas baseadas em colagens visuais resultantes da observação de gravuras antigas de feiras e lojas de antiguidades. Ao misturar elementos de universos fantásticos com a realidade; e ao recriar as imagens históricas das gravuras, Jacobson põe em causa a ordenada e predominante forma de ver a realidade. Johansson, por sua vez, denuncia a qualidade dos objectos do quotidiano através da manipulação da escala real de representação, da repetição e da descontextualização das funções às quais foram destinados estes objectos. Os seus trabalhos resumem-se a esculturas lúdicas e instalações.
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Revisão semanal de inaugurações: Lisboa e as suas Galerias de Arte
Aqui estamos novamente com a nossa já conhecida revisão semanal de inaugurações de exposições em galerias de arte em Portugal. Esta semana, a protagonista é a cidade de Lisboa com um total de oito novas exposições nas principais galerias da zona centro.
Começando pelo de dia de hoje, a Galeria PERVE inaugura esta mesma tarde uma exposição de homenagem ao famoso fotógrafo e desenhador surrealista português Fernando Lemos, cujo título é "Desenho Diacrónico": um conjunto de pequenos desenhos em forma de "crónica plástica" produzida pelo autor durante o ano de 2010. Paralelamente, será apresentado o "livro-objecto" de edição limitada a 150 exemplares, composto por serigrafias de Lemos e texto de Adolfo Luxúria Canibal.
Por outro lado, amanhã, 16 de Novembro, será a vez da Galeria Diferença apresentar as suas novas propostas. Concretamente duas exposições: uma na zona do espaço-loja e outra na sala de exposições. Assim, Ana Ferreira, ceramista portuense, será a autora da exposição de objectos de cerâmica que se poderá ver no espaço-loja, deixando livre o espaço da galeria para as serigrafias intituladas "Cellfish" de Joana Girão.
O dia 17 de Novembro, por seu turno, será o dia mais completo com três exposições simultâneas. A primeira delas será uma mostra de pintura intitulada "Pintado por cima" na prestigiada Galeria Cristina Guerra, na qual o artista Luís Paulo Costa jogará com o tradicional "protocolo" que rege a forma de observar as obras de arte, contrariando as normas "estabelecidas" através da proposta de um "olhar curioso" por parte dos visitantes, usando, para isso, um conjunto de fotografias pintadas, numa tentativa de humanização do aspecto mecânico da imagem fotográfica. Relativamente à segunda exposição prevista para este dia, esta consistirá numa mostra colectiva de autores portugueses organizada pela famosa Galeria Quadrado Azul (delegação de Lisboa), que incluirá obras de autores consagrados dos anos 60 e 70 como Fernando Lanhas e Ângelo de Sousa; passando obras de autores conhecidos dos anos 90 como Francisco Tropa e João Queiróz; rematando desta forma com obras mais recentes de artistas como o fotógrafo Paulo Nozolino, o pintor Pedro Tropa ou o desenhador Thierry Simões.
Quanto à terceira destas exposições do dia 17 de Novembro, a sua inauguração será na galeria SOPRO - Projecto de Arte Contemporânea, onde uma exposição de obras de técnica mista de Manuel Furtado dos Santos encherá o espaço de coloridos "collages" de ícones da cultura pop numa mostra intitulada "Elementa".
Dois dias depois, 19 de Novembro de 2011, a Galeria Carlos Carvalho inaugurará a mostra de fotografia intitulada "More pictures about buildings, houses, cars and islands", na qual o fotógrafo Paulo Catrica mostrará os seus últimos trabalhos de temática e paisagem urbanas.
E para finalizar, a Galeria Pedro Serrenho inaugurará este mesmo dia a exposição "Amor Acrílico", na qual o pintor Carlos Barão mostrará as suas criações pictóricas em acrílico rasurado de perfil "informalista", carregados das suas omnipresentes mensagens com caligrafias. IRMANARTE.COM
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| Ângelo de Sousa - Acrílico sobre tela (2000). Foto: APGA |
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| Manuel Furtado dos Santos. Foto: APGA |
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Inaugurações Simultâneas no Porto
Hoje falamos de galerias de arte... Ao longo de toda esta semana foram chegando ao IRMANARTE várias notícias relativas a novas inaugurações previstas para amanhã (5 de Novembro de 2011) nas galerias de arte da famosa Rua Miguel Bombarda, no Porto.
Tal como referiam há cerca de dois meses atrás os nossos colegas de proyectochapa.com, esta vaga de novas inaugurações diz respeito às já conhecidas inaugurações simultâneas organizadas pelos galeristas da zona para promover os seus artistas.
Tal como referiam há cerca de dois meses atrás os nossos colegas de proyectochapa.com, esta vaga de novas inaugurações diz respeito às já conhecidas inaugurações simultâneas organizadas pelos galeristas da zona para promover os seus artistas.
Para ir adiantando um pouco o previsto para amanhã, no IRMANARTE seleccionámos um conjunto de exposições que nos parecem desde já interessantes:
Galería 111 - O pintor lisboeta Martinho Costa apresentará uma vez mais a sua já conhecida e "itinerante" colecção de pintura figurativa intitulada "O Diário de Robert Stern".
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| Martinho Costa |
Galería AP ARTE - O pintor portuense João Noutel propõe uma selecção de trabalhos denominada "Out Series". Com texto introdutório de Valter Hugo Mãe e um argumento próprio carregado de crítica social, a exposição espera-se cheia de ironia e metáfora.
Galería Arthobler - O artista plástico Carlos No propõe-nos uma instalação com o título "Morro", onde se espera ver o seu já conhecido activismo humanitário e crítica à injustiça social.
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| Carlos No |
Galería Nuno Centeno - Através da sua mostra "The low ride pleasure", o artista plástico Pedro Magalhães, conhecido fundamentalmente pelos seus trabalhos fotográficos, propõe-nos um conjunto de obras ao mais puro estilo "tunning amateur".
Galería Presença - O lisboeta Isaque Pinheiro anuncia-nos uma das suas já tradicionais instalações compostas por objectos carregadas de pura ironia surrealista, cujo título é "Mão Livre".
Galería Serpente - A pintora Rita Melo propõe-nos uma selecção de "Pinturas (Ultra) Passadas", onde uma vez mais poderemos ver o seu colorido realismo em pinturas com uma forte mensagem crítica contra a globalização.
Galería Quadrado Azul - Com uma exposição póstuma, o recém falecido Ângelo de Sousa será homenageado pela sua galeria, através de um conjunto retrospectivo de obras pictóricas "Pré-86 e Pós-86".
Galería Trindade - Catarina Garcia, artista plástica lisboeta, propõe-nos uma viagem pelo seu "Sonho imaginado", onde uma vez mais o desenho será a sua forma de expressão.
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| Catarina Garcia |
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UM - International Festival of Experimental Intermedia
Hoje queremos apresentar-vos o UM- International Festival of Experimental Intermedia. Um festival dedicado à arte digital, tecnológica e performativa que se realizará no próximo dia 5 de Novembro de 2011 no antigo Cinema Passos Manuel do Porto.
O Festival UM é um evento que surgiu no ano de 2008 em Lisboa, e que pretende promover trabalhos de artistas emergentes que explorem nas suas criações a tecnologia e os meios digitais. A sua actuação consiste na organização de exposições, workshops, colóquios, concertos e performances ao redor de um tema anual comum escolhido para cada edição.
Desta forma, e centrada este ano no tema do desejo, a presente edição, ao contrário das anteriores de 2008 e 2009, pretende ser o salto de expansão deste festival a outros pontos do país e da Europa. Desta forma, depois do êxito da versão realizada no passado 28 de Maio em Dublin (Irlanda), o UM fecha a sua actividade de 2011 com uma nova "entrega" preparada especialmente para a cidade do Porto e que se realizará numa só noite e num só local. A "night only" preparada para a invicta começará às 22h com uma performance da artista holandesa Sonia Cillari e acabará pela noite dentro com o grupo musical Duran Duran Duran. O local será o antigo Cinema Passos Manuel, agora convertido em bar-centro cultural e sala de espectáculos.
Programa
22h-22h45 Live Art Performance/Installation Sonia Cillari (NL/PT) As An Artist I Need Rest
23h-23h45 Live Art Performance Paul Granjon (WAL/FR) Love and the Machine
00h-00h45 Concert SunkenFoal (IRL)
01h-01h45 Concert Struqen (PT)
02h-03h Club Bass Clef (UK)
03h-04h30 Club Duran, Duran, Duran (US/DE)
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Intercâmbio cultural entre Portugal e Espanha
Falemos de dois eventos: a II Mostra Espanha 2011 (em Portugal) e a IX Mostra Portuguesa (em Espanha). Dois programas simultâneos de intercâmbio cultural a realizar durante os meses de Novembro e Dezembro, onde estes dois países terão a oportunidade de estreitar laços de amizade e estabelecer um diálogo cultural.
Trata-se de uma mostra que tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Nesta 9ª edição, Portugal optou por um ambicioso programa ecléctico que terá como cenário sete cidades espanholas: Madrid, Barcelona, Badajoz, León, Oviedo e Saragoça.
Começando pela música, cada uma destas cidades contará com actuações de estilos muito diversos como o "mestiço" grupo folk de Olivença - Alcerte -; o famoso músico Rodrigo Leão e a sua orquestra; ou o ciclo "Noches de fado" no qual actuarão Ana Moura, Mafalda Arnauth e Raquel Tavares. Relativamente a exposições, destacamos sobretudo a mostra de arte contemporânea organizada pelo MUSAC de León, composta por uma selecção de obras de mais de 60 artistas portugueses e internacionais, pertencentes à colecção da Fundação de Serralves (Porto). Desses nomes destacamos portugueses como Helena Almeida, Alberto Carneiro, Lourdes Castro, Álvaro Lapa; ou estrangeiros como Giovanni Anselmo, Gilbert & George, Claes Oldemburg, Dennis Oppenheim, Richard Serra ou Robert Smithson. No campo literário, destacamos sobretudo a apresentação da versão traduzida do livro de Armando Baptista-Bastos - "José Saramago. Un retrato apasionado", que terá lugar na Sala María Zambrano de Madrid; ou os colóquios "Nexus literaturas/literatures" no quais o Ateneu Barcelonês reunirá escritores conhecidos de ambos países. Relativamente ao teatro, Barcelona será a única cidade que contará com esta modalidade com uma co-produção entre "La Seca - Espai Brossa" e a companhia Corcada, na qual será representada a obra baseada no texto de Fernando Pessoa: "Pessoa, o que o turista deve ver". Por outro lado, no que diz respeito ao cinema, a oferta será bem mais ampla que a teatral. Além do I Seminário de Cinema Português (em Sevilha), Madrid e Saragoça contarão com um ciclo de cinema português composto por projecções de filmes nacionais produzidos nos últimos três anos. Finalmente, e para reconfortar o estômago, o Hotel Wellington de Madrid contará com jornadas gastronómicas, nas quais o chef Luis Baena dará a conhecer o melhor da cozinha contemporânea nacional.
Seguindo a mesma linha de organização que a mostra portuguesa, esta mostra de Espanha em Portugal estender-se-á de igual forma por várias cidades: Lisboa, Porto, Coimbra, Palmela e Almada. Começando a análise do programa igualmente pela música, o Ministério da Cultura espanhol optou por representar o panorama musical do seu país através de actuações como a de Luis Pastor, Joaquín Achúcarro, Kepa Junkera ou o grupo de trovadores que interpretará "As cantigas em galaico-português". No que diz respeito a exposições, à excepção da Exposição Nulla Dies Sine Lima, dedicada ao design espanhol contemporâneo, a fotografia será a grande protagonista. As mostras fotográficas estarão presentes em todas as cidades incluídas no programa da mostra e consistirão em exposições como a Urbscapes (Fotografia urbana de arquitectura); "A Cena Quotidiana" (Fotografia de Óscar Fernández Orengo); ou uma retrospectiva
de Luis Ramón Marín. A literatura, por seu turno, contará com um amplo leque de eventos em forma de colóquio e seminário. Destacamos sobretudo os encontros de "Poetas Ibéricos Hoje"; os "Fóruns Transfronteiriços para a Cultura" e o seminário "Texto e Representação". Quanto ao cinema, haverá dois eventos: "Ficção", onde serão projectados onze filmes espanhóis em forma de ciclo; e "Documentários", no qual serão projectados de igual forma sete documentais de produção espanhola. Finalmente, e não por ser menos importante, na modalidade teatral, a mostra contará com a representação da clássica obra Numância de Miguel de Cervantes.
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