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Fim de semana de Festa na Fundação de Serralves do Porto

É já amanhã, a Fundação de Serralves organizará um novo Serralves em Festa. Serão 40h sem parar de música, dança, arte, teatro, performance, workshops, cinema, fotografia, etc. No total serão mais de 220 eventos concentrados entre os dias 2 e 3 de Junho, e que se realizarão em três zonas distintas: os espaços da própria Fundação, o Centro Histórico da cidade do Porto e o Aeroporto Francisco Sá Carneiro. 


Exposições
No que diz respeito a exposições, esperam-nos algumas propostas interessantes. A primeira delas é a exposição "To Whom Who Keeps a Record" do artista francês Mathieu Kleyebe Abonnenc. Trata-se da primeira exposição deste artista em Portugal que tem como tema os movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas em África, nomeadamente Cabo Verde e Guiné-Bissau. Nesta exposição, Mathieu apresenta uma serie de trabalhos inéditos pensados especialmente para Serralves, onde conviverão trabalhos de ilustração, reportagens fotográficas e filmes, como é o caso da média-metragem filmada no Porto, com a atriz Bia Gomes como protagonista. 
Outra exposição a inaugurar com o Serralves em Festa é a do artista plástico Artur Barrio - "…navegações/divagações… por entre escolhos e baixios…", montada na sala central do Museu de Serralves, espaço este que, após a intervenção deste artista durante várias semanas, assume uma nova forma espacial. Barrio aplica uma vez mais uma das suas premissas conceptuais: a mistura num mesmo espaço de situações efémeras onde a vida e a arte cruzam experiências ao ponto de desafiar a própria condição do espetador. Misturando igualmente elementos orgânicos e perecíveis com textos, desenhos e fotografias, Barrio materializa as suas conceções e proporciona, desta forma, experiências derivadas do sensível e do cognitivo. 
Outra proposta para este fim de semana em Serralves é a exposição dedicada ao poeta romancista francês Raymond Roussel, organizada em pareceria com o Museo Reina Sofía de Madrid. Esta exposição intitulada - "Locus Solus" - incluirá cerca de trezentas peças que resultaram da influencia deste poeta em artistas como Marcel Duchamp, Francis Picabia, Dalí, Jean Tinguely, Man Ray, Cristina Iglesias e Francisco Tropa. 
"Crescimento e Cultura" é outra proposta expositiva no âmbito do Serralves em Festa. Ricardo Valentim, artista português residente em Nova Iorque, reúne nesta exposição um conjunto de cartazes, folhetos e folhas de sala produzidos por si próprio ao longo destes últimos anos, aos que anexa uma peculiar instalação denominada Content of the Lecture "Models of Democracy", onde o artista recorre aos tradicionais e obsoletos retroprojetores para recriar uma sala de aula onde se poderá ver um filme sobre o famoso teste psicológico de Holtzman: "Inkblot"
Ao mesmo tempo, e no mesmo recinto da Fundação, poderemos ver a instalação "Walls to the People", que tem como suporte gráfico as paredes da casa de Serralves, onde os graffiti típicos dos espaços públicos abandonados invadem a elegância Art Déco da arquitetura e dos jardins. (Esta exposição é também interativa para aqueles que possuam smartphone ou tablet). 

Performance
Relativamente à modalidade de performance, destacamos a intervenção no Aeroporto do Porto intitulada "Blue Tired Heroes". Nesta atuação, seis performers encenados pelo suíço Massimo Furlan vaguearão pelas instalações do Aeroporto interatuando com os viajantes que partem e chegam de e à cidade, convidando-os a saltar as normas de "circulação" e de comportamento. 
Outra performance com várias sessões previstas para este fim de semana é a de Mariana Bacelar, resultante do Projeto Manobras no Porto da Cooperativa de Ensino Polivalente e Artístico C.R.L., intitulada "Monopólio?". Nesta atuação, a performer usará a malha urbana da cidade, à imagem e semelhança de um jogo de Monopoly para refletir sobre os processos urbanos resultantes das ideias neo-liberalistas. 
Outra interessante proposta dentro da performance é a da Academia Contemporânea do Espetáculo - "Partinturas" - um conjunto de atuações que têm como objetivo traçar um percurso pela historia da pintura, através do recurso a ícones pictóricos do nosso imaginário coletivo. 
Finalmente, e nem por isso menos importante, destacamos o conjunto de atuações protagonizadas pela dupla de performers Los Torreznos (Rafael Lamata e Jaime Vallaure), onde a denúncia do social e do político será o tema central. "35 Minutos", "Energía Española Normal", El Dinero" e "El Cielo" são os nomes das diferentes ações de performance que estes artistas desenvolverão no âmbito do Serralves em Festa.

Mais informação: http://www.serralvesemfesta.com/pt/
Twitter: @serralves_twit | Hashtag: #SerralvesEmFesta

Thomas Struth no Museu de Arte Contemporânea de Serralves

Hoje falaremos da exposição Thomas Struth: Fotografías 1978-2010, que se poderá ver até 29 de Janeiro no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto.


Quem poderia guiar-me? 
Roland Barthes 

O corpus desta exposição conduz o espectador a transcender o espaço e o tempo que visita as cidades, os templos, as multidões, os museus e as paisagens. O fotógrafo é um reflexo visível do “homem e do seu tempo”, as mais recentes fotografias de 2010 realçam a curiosidade pelas novas tecnologias numa perspectiva quase pictórica que vai desde um amontoado de fios de várias cores, pertencentes a uma máquina, ao interior de uma estação aeroespacial com os seus vários enquadramentos. Realidades estas, distanciadas do cidadão comum. Esta obra convida a ver o mundo, nestes últimos trinta e três anos, abarcando territórios de contrastes e pequenos mundos invisíveis à escala global. Na série Retratos revisita-se o sentido da pose do século XIX projectado para século XX: exemplos de famílias ocidentais, orientais ou sul-americanas, onde monoparentalidade se encontra presente. Fotografias de arranha-céus, algumas a preto e branco, em oposição a pequenas ruas desérticas de Nova York, Dusseldorf, Paris, Edinburgo, Tokio ou Xangai. Templos pagãos e cristãos onde se escutam silêncios e ruídos das multidões, retratando o turista dos dias de hoje que invade também os museus. Thomas Struth sugere uma espécie de destino alternativo, um “paraíso” onde se encerram as paisagens impenetráveis, ausentes da intervenção humana. É nesta dinâmica antológica que reside esta exposição, que espero que visitem e procurem o pormenor e o mistério “inacessível da realidade”.




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