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| Galeria Juana de Aizpuru Foto: ArteMadrid |
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Fim de semana de Inaugurações Simultâneas em Madrid, Lisboa e Porto
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Fim de semana de Festa na Fundação de Serralves do Porto
É já amanhã, a Fundação de Serralves organizará um novo Serralves em Festa. Serão 40h sem parar de música, dança, arte, teatro, performance, workshops, cinema, fotografia, etc. No total serão mais de 220 eventos concentrados entre os dias 2 e 3 de Junho, e que se realizarão em três zonas distintas: os espaços da própria Fundação, o Centro Histórico da cidade do Porto e o Aeroporto Francisco Sá Carneiro.
Exposições
No que diz respeito a exposições, esperam-nos algumas propostas interessantes. A primeira delas é a exposição "To Whom Who Keeps a Record" do artista francês Mathieu Kleyebe Abonnenc. Trata-se da primeira exposição deste artista em Portugal que tem como tema os movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas em África, nomeadamente Cabo Verde e Guiné-Bissau. Nesta exposição, Mathieu apresenta uma serie de trabalhos inéditos pensados especialmente para Serralves, onde conviverão trabalhos de ilustração, reportagens fotográficas e filmes, como é o caso da média-metragem filmada no Porto, com a atriz Bia Gomes como protagonista.
Outra exposição a inaugurar com o Serralves em Festa é a do artista plástico Artur Barrio - "…navegações/divagações… por entre escolhos e baixios…", montada na sala central do Museu de Serralves, espaço este que, após a intervenção deste artista durante várias semanas, assume uma nova forma espacial. Barrio aplica uma vez mais uma das suas premissas conceptuais: a mistura num mesmo espaço de situações efémeras onde a vida e a arte cruzam experiências ao ponto de desafiar a própria condição do espetador. Misturando igualmente elementos orgânicos e perecíveis com textos, desenhos e fotografias, Barrio materializa as suas conceções e proporciona, desta forma, experiências derivadas do sensível e do cognitivo.
Outra proposta para este fim de semana em Serralves é a exposição dedicada ao poeta romancista francês Raymond Roussel, organizada em pareceria com o Museo Reina Sofía de Madrid. Esta exposição intitulada - "Locus Solus" - incluirá cerca de trezentas peças que resultaram da influencia deste poeta em artistas como Marcel Duchamp, Francis Picabia, Dalí, Jean Tinguely, Man Ray, Cristina Iglesias e Francisco Tropa.
"Crescimento e Cultura" é outra proposta expositiva no âmbito do Serralves em Festa. Ricardo Valentim, artista português residente em Nova Iorque, reúne nesta exposição um conjunto de cartazes, folhetos e folhas de sala produzidos por si próprio ao longo destes últimos anos, aos que anexa uma peculiar instalação denominada Content of the Lecture "Models of Democracy", onde o artista recorre aos tradicionais e obsoletos retroprojetores para recriar uma sala de aula onde se poderá ver um filme sobre o famoso teste psicológico de Holtzman: "Inkblot".
Ao mesmo tempo, e no mesmo recinto da Fundação, poderemos ver a instalação "Walls to the People", que tem como suporte gráfico as paredes da casa de Serralves, onde os graffiti típicos dos espaços públicos abandonados invadem a elegância Art Déco da arquitetura e dos jardins. (Esta exposição é também interativa para aqueles que possuam smartphone ou tablet).
Performance
Relativamente à modalidade de performance, destacamos a intervenção no Aeroporto do Porto intitulada "Blue Tired Heroes". Nesta atuação, seis performers encenados pelo suíço Massimo Furlan vaguearão pelas instalações do Aeroporto interatuando com os viajantes que partem e chegam de e à cidade, convidando-os a saltar as normas de "circulação" e de comportamento.
Outra performance com várias sessões previstas para este fim de semana é a de Mariana Bacelar, resultante do Projeto Manobras no Porto da Cooperativa de Ensino Polivalente e Artístico C.R.L., intitulada "Monopólio?". Nesta atuação, a performer usará a malha urbana da cidade, à imagem e semelhança de um jogo de Monopoly para refletir sobre os processos urbanos resultantes das ideias neo-liberalistas.
Outra interessante proposta dentro da performance é a da Academia Contemporânea do Espetáculo - "Partinturas" - um conjunto de atuações que têm como objetivo traçar um percurso pela historia da pintura, através do recurso a ícones pictóricos do nosso imaginário coletivo.
Finalmente, e nem por isso menos importante, destacamos o conjunto de atuações protagonizadas pela dupla de performers Los Torreznos (Rafael Lamata e Jaime Vallaure), onde a denúncia do social e do político será o tema central. "35 Minutos", "Energía Española Normal", El Dinero" e "El Cielo" são os nomes das diferentes ações de performance que estes artistas desenvolverão no âmbito do Serralves em Festa.
Mais informação: http://www.serralvesemfesta.com/pt/
Twitter: @serralves_twit | Hashtag: #SerralvesEmFesta
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"Memória e Destruição", percursos alternativos no Porto.
A terra de ninguém / Nobody Land / A new body land
"Tempo de antes e tempo de agora"
"E tudo é tempo agora"
(T. S. Eliot - Quatro Quartetos BURNT NORTONT, parte III e parte V)
O “património arquitectónico” sucede-se ao “património humano”. Ilhas, o casario, território abandonado mas populado por pessoas que entram e saem de pequenas mercearias, “tascas” e, simultaneamente, permanecem quietas nas soleiras das suas portas saboreando o sol de Inverno e as escarpas do Rio Douro.
Circuitos artísticos alternativos rompem na paisagem. Na “terra de ninguém”, para lá das muralhas fernandinas, (onde outrora se iniciou o alargamento da cidade): Fontainhas, Bonfim, Jardim de S. Lázaro, Avenida Rodrigues de Freitas...Movimentos circunspectos serpentearam a casa número 295, na mesma Avenida, no dia 28 de Janeiro de 2012, com a apresentação da exposição: Memória e Destruição.
Um colectivo de “diversas áreas artísticas” reuniu alguns dos seus trabalhos com o fim de os expor num espaço desabitado – casa com um piso térreo, uma espécie de loja ladeada por dois vãos de acesso, seguindo-se os três pisos e os dois últimos marcados por varandins, com uma
fachada guarnecida, por um aparelho petreo e azulejo monocromado azul e no seu interior... o passado, o presente e o futuro...
Na “memória” destes artistas ficaram as paredes revestidas a papel colorido, lembrando outras épocas, o chão de linóleo, móveis, o cheiro a mofo, a sujidade e o entulho. O efeito da “destruição” dirigida por este colectivo deu lugar a um novo espaço e a um novo tempo. Demolição, deslocação, pintura, transformação que deixou resíduos do que foi e o seu ressurgimento.
Na exposição teceram-se várias linhas entre a tradição e a actualidade. Os fios escultóricos conduziram à verticalidade do edifício, transmitindo um carácter de unidade, entre as várias obras, (instalação realizada pelos Bafo de Peixe, do Piso Térreo ao Piso 3). Não se construiu a “pausa” mas sim, o sentido da sua presença como em qualquer lugar habitado: A pauza de Patrícia Cardoso. Escutaram-se passos de renovação nos registos fotográficos e na sua dissolução, que preencheram corredores e salas, como foi o exemplo das fotografias de Tiago Casanova a partir de negativos estragados – Lost Found and Vice Verça (piso 3), continuando da realidade para irrealidade, completaram-se com os trabalhos Luís Azeredo Ilhas de sabor Tropical (piso 2) e José Pires, Suposição de memórias (piso 0).
A música surgiu por toda a parte: Dj’s Blast, Illegal, Thundercuts,Das Monstrum, a que se juntou o grafitti proposto por Maniaks e colectivo Rua, numa das salas (Piso 1) – Memória destrutiva – envolve toda a parede onde permanecem os vestígos de desfragmentação. O tema encara acumulação de lembraças e construções evidentes que povoam o cérebro e sua constante necessidade de as romper e partir do zero.
Os desenhos da cidade tornam-se ausentes, apenas esquiços, em Memórias da Cidade, de André Cardoso, porque nada é tido como certo neste lugar que convida à (des)construção, instalação de Maria Tabulo e Sara Ribeiro, apelando ao público para uma nova edificação, recorrendo a caixotes, molde para a construção de um novo mobiliário ou de um objecto escultórico, quem sabe, material pronto a ser trabalhado.
Uma luz em trajectória contrasta com a parede branca, pintura de Gil Madeira, número 295, primeiro esquerdo, opondo-se a as coisas de Patrícia Figueiredo num enredo figurativo.
Materiais pobres, reutilização de objectos como os vinis dos Maniaks e esculturas em cartão do colectivo Rua (Piso 1 e 2) perfazem os corredores seguindo-se as Ilustrações de Don´t Love (Piso3).
Escutam-se silêncios, dois amantes, num amparado desequilíbrio, que quase que se tocam, entre o fogo e volatilidade do branco, obra Leda e o Cisne (Instalação de Maria Tabulo, Piso 3), convida à intimidade e ao perigo de uma destruição eminente.
“No seguimento de um corredor encontra-se uma sala onde jazem as cinzas, restos duma obra e uma espécie de mausoléu sobre um plinto perpetua um nascimento, From de same they became another, instalação de Hugo de Almeida Pinho…
No culminar desta exposição, o fim, num contínuo movimento, nas águas furtadas apresenta-se um cenário que podia ser uns minutos após a guerra: um quarto em permanente mudança (um estendal, um colchão, e um armário) e uma infinita luz completa a instalação Le champ, (Hugo de Almeida Pinho) um enquadramento fotográfico (a sala de pintura das FBAUP, palco da procura que corrompe a narrativa de anti-territorialidade).
A exposição teve a duração, exactamente, de um dia… para que a memória não “congelasse o tempo” (Instalação de Maria Tabulo, Reprodução, Piso 3) dando espaço à sua destruição, e para que o momento vivido pelo público fosse uma variável constante da experiência, que não se repete, do “aqui e “agora” com que é possível cruzar a obra de arte. Múltiplas terão sido as sensações dos visitantes.
A divulgação do evento teve um período muito curto, tendo-se utilizado meios como o cartaz e a internet. Para todos os artistas que participaram foi uma surpresa a adesão das pessoas que ali chegavam. A casa estava cheia, com um programa diversificado que durou até à meia-noite.
Memórias e Destruição perpetuar-se-á pela cidade indo ao encontro de caminhos semelhantes…
Vídeo das intervenções disponível na secção Favoritos da nossa página YouTube.
Continuação em Após "Memória e Destruição"...
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Galerias de Arte em Portugal: Inaugurações no Porto e em Ponta Delgada
Não sabemos se as últimas de 2011, o certo é que a poucas semanas de acabar o ano continuam a chegar ao IRMANARTE notícias de inaugurações em galerias nacionais. Destacamos três delas: a colectiva de pintura e escultura intitulada "A Ceia" na Galeria Artes Solar de Santo António no Porto; a também colectiva, neste caso de joalharia, na Galeria Fonseca Macedo de Ponta Delgada; e a igualmente colectiva de "Arte Móvel: Quadros e esculturas de bolso", organizada pela Galería-atelier João Pedro Rodrigues do Porto.
"A Ceia" (Galeria Artes Solar Sto. António) - de 8 de Dezembro de 2011 a 14 de Janeiro de 2012
Com texto introdutório do poeta Jorge Velhote intitulado "A Última Ceia", a exposição colectiva organizada pela conhecida Galeria Artes Solar de Santo António da Rua do Rosário do Porto reunirá no mesmo espaço um conjunto de mais de 23 obras de pintura e escultura pertencentes a artistas nacionais como José Emídio, Ruy Silva, Rodrigo Costa, Alfredo Barros, Susana Bravo, Carlos Reis, Isabel Padrão, Luis Melo, Filipe Cortez, João Figueiredo, Paulo Neves e muitos outros.
"Colectiva 2011" (Galeria Fonseca Macedo) - de 8 de Dezembro de 2011 a 31 de Janeiro de 2012
Fundada no ano 2000 em Ponta Delgada, a Galeria Fonseca Macedo é já um referente no mercado nacional da arte contemporânea da insular Região Autónoma dos Açores. Com uma exposição de design de jóias da dupla Romeu Bettencourt e Carolina Brose, dita galeria encerrará as inaugurações de 2011, as quais retomará já no próximo mês de Fevereiro de 2012 com a anunciada participação na conhecida feira ARCO de Madrid.
"Arte Móvel 2011" (Galeria João Pedro Rodrigues) - de 9 de Dezembro de 2011 a 16 de Janeiro de 2012
Seguindo o mesmo esquema da proposta "Arte Móvel sobre T'Shirts" de 2010, a presente exposição colectiva de quadros e esculturas móveis que este atelier-galeria portuense escolheu para encerrar o ano de 2011, pretende ser o resultado do reto apresentado por esta entidade a cerca de 30 artistas nacionais para a elaboração de pequenas obras de arte transportáveis. A realização deste projecto e exposição deve-se em parte à contribuição da Papelaria Sousa Ribeiro que ofereceu aos artistas telas de 13x18 cm para a execução das obras.
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Galeria Filomena Soares: Exposição colectiva de artistas estrangeiros
De todas as informações de eventos e exposições que nos vão chegando ao IRMANARTE, há sempre alguma que se destaca pela sua dimensão inédita e pela qualidade das propostas. É o caso da exposição colectiva actualmente patente na Galeria Filomena Soares (Xabregas - Lisboa).
Inaugurada no passado dia 25 de Novembro de 2011 e patente até 14 e Janeiro do próximo ano, a exposição colectiva apresentada por esta galeria significa a consolidação da progressiva internacionalização desta entidade, levada a cabo ao longo dos últimos anos.
Aberta ao público há já 12 anos e com um curricullum de mais de 30 participações em feiras de arte contemporânea, tanto nacionais como internacionais, a Galería Filomena Soares constitui um espaço de visita obrigatória no circuito do comercio da arte contemporânea em Portugal e um dos maiores espaços expositivos da capital.
Ocupando a sala 2 deste amplo espaço, a presente exposição colectiva reúne um total de 12 artistas estrangeiros, na sua maioria oriundos do mundo artístico anglo-saxão que, além das suas aspirações criativas e da sua multiplicidade plástica e conceptual, têm em comum o facto de pertencerem a uma geração de artistas nascidos durante a década de 70 do século XX.
Baseada na diversidade de linguagens como sendo a melhor maneira de representar as diferentes questões e dimensões da contemporaneidade - políticas, sociais, históricas e culturais - esta exposição incide em temas como a migração, a tradição, o género, a raça, a religião, os direitos humanos ou a economia para incitar os visitantes a discutirem e a refletirem sobre o passado, o presente ou o futuro da nossa sociedade.
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| Espaço da exposição. Foto: Galeria Filomena Soares (Lisboa) |
Começando pelos alemães Julia Schmidt (1976), Katinka Bock (1976) e Philipp Goldbach (1978), tentaremos retratar brevemente os vários autores e as várias obras presentes nesta mostra, incidindo nas suas principais características formais e conceptuais.
- Começando por Julia Schmidt, nascida em Wolfen e residente em Berlim, deparamo-nos com um conjunto de obras pictóricas que ressuscitam antigos objectos simbólicos do mundo quotidiano. Valorizando e realçando estes objectos através da eliminação de pormenores ornamentais substituídos por manchas de cor plana, Julia Schmidt desperta no observador um ponto de vista ofuscado pela superficialidade predominante nas sociedades actuais.
- Percepção distinta à de Katinka Bock (Alemanha, 1976), actualmente a trabalhar em Paris, e que recorre à escultura como meio de expressão, o que através de uma estratégica colocação das obras no espaço expositivo se traduz num ambiente de inevitável comunicação entre o observador e a obra apresentada. Neste contexto, o visitante é convertido num último elemento essencial capaz de completar o conceito da instalação. Exemplo disso é Chigagostreet (2011), obra em que a artista questiona as ideias pré-concebidas de percepção visual dominantes na sociedade actual, através da instalação da réplica de um muro no chão da sala de exposições, imitando assim a sombra do mesmo.
- Ao contrário de Katinka, Philipp Goldbach recorre a meios como a fotografia para questionar as problemáticas da contemporaneidade. Baseado num universo estético de profunda tradição alemã, já que revela influencias de artistas como Thomas Struth, as fotografias de Goldbach representam um mundo de simétricos enquadramentos capazes de retratar a alma e as formas de espaços simbólicos como a sala de uma universidade.
- Distinta às percepções e às forma de expressão usadas pelos alemães Schmidt, Bock e Goldbach é a de Clemens Krauss, artista austríaco nascido em 1979 que, através de imagens de pessoas retratadas repetidamente em revistas, questiona os conceitos tradicionais de mobilidade e de identidade individual. As suas telas, cheias de "personagens" que flutuam num espaço ausente de cor e perspectiva, têm como único elemento plástico visível "pastosas" figuras formados por camadas de pintura a óleo.
- O desenho, por outro lado, é o meio usado pela checa Katerin Sedá (1977): Através de uma mostra composta por uma selecção de desenhos pertencentes à exposição realizada para a 5ª Bienal de Berlim em 2008 (Over and Over), Sedá propõe-nos uma reflexão acerca do conceito de comunidade. Na mostra de 2008, a artista checa denunciava a desigualdade sócio-económica da sua aldeia natal e a proliferação de construções cada vez mais desmesuradas. Na presente mostra podem ver-se alguns desenhos deste projecto, onde o traço minimalista reproduz planos urbanísticos e plantas de edificios, resultantes do seu trabalho de investigação.
- Fotografia, vídeo, texto e escultura são, no entanto, os meios de expressão escolhidos por Tim Lee, artista coreano nascido em 1975 que, para a presente colectiva propõe uma ecléctica instalação de obras que recriam a historia da arte e a cultura popular. Através da manipulação de ícones e factos históricos, Lee transporta-nos directamente do passado para o futuro, sem passar, contudo, pelo presente. Nos seus trabalhos, é clara a influência de artistas da história recente da arte como Rodchenko ou Dan Graham.
- Manipulando igualmente o passado histórico, mas neste caso usando o desenho e a escultura, Mariechen Danz, artista irlandesa nascida em 1980, manipula os episódios históricos através da inclusão de elementos culturais alternativos aos representados. Para Danz, os meios de comunicação são os responsáveis pela deficiente transmissão da história, pelo que é necessário corrigir este aspecto.
- Não menos interessante é o trabalho de Keren Cytter (Israel, 1977), onde, através do Video Art, tenta recriar a realidade através de um universo teatral grotesco e melodramático onde a mistura elementos documentais e de ficção é usada como questionamento das convenções do teatro clássico.
- Por outro lado, ainda que distinta mas nem por isso menos polémica é a percepção do britânico Mark Titchner (1973) que, através da instalação de elementos como caixas de luz, pinturas ou vídeos, cria um confronto entre ideias conservadoras e progressistas, onde a fé cega na ciência ou a obediência incontestável à autoridade são aspectos a reflectir.
- Paralelamente, Tonico Lemos Auad, nascido no Brasil em 1968 é outro dos artistas presentes nesta exposição colectiva cuja obra busca a reflexão da realidade. Neste caso, baseado em experiências quotidianas pouco percebidas, este artista tenta reconstruir aparições reais e imaginarias, onde a influência cultural brasileira está naturalmente presente através de elementos populares como os tradicionais talismãs.
- Finalmente, os suecos Martin Jacobson (1978) e Michael Johansson (1975) completam a constante diversidade desta mostra colectiva. Jacobson, nascido em Estocolmo (onde trabalha), estabelece uma relação entre o passado e o futuro através de pinturas baseadas em colagens visuais resultantes da observação de gravuras antigas de feiras e lojas de antiguidades. Ao misturar elementos de universos fantásticos com a realidade; e ao recriar as imagens históricas das gravuras, Jacobson põe em causa a ordenada e predominante forma de ver a realidade. Johansson, por sua vez, denuncia a qualidade dos objectos do quotidiano através da manipulação da escala real de representação, da repetição e da descontextualização das funções às quais foram destinados estes objectos. Os seus trabalhos resumem-se a esculturas lúdicas e instalações.
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Analisando exposições: Out Series de João Noutel
Um inventivo jogo de lugares comuns, do corpus da sociedade: as suas atitudes, os seus desejos, a sua aparência, os seus potenciais símbolos nacionais e um leque ícones que invadiram e alimentaram o universo imagético de várias gerações. De quem falamos?… De João Noutel, artista plástico que tem desenvolvido o seu trabalho no sentido de “materializar narrativas e de descodificar mensagens”. Já referido anteriormente no contexto das inaugurações simultâneas da Rua Miguel Bombarda, pela sua exposição Out Series na galeria AP’ARTE, merece agora a nossa atenção com uma resenha crítica desta mostra que estará patente até 3 de Dezembro de 2012…
Nesta exposição, o olhar do espetador cruza-se com o tom irónico das suas frases e com o espaço visual que as habita. De quadro para quadro pressente-se um leve sorriso e uma breve reflexão, representações que refazem infinitas possibilidades de apresentar uma imagem.
Os seus trabalhos recordam o universo da Pop Art pela recorrência à crítica social e à representação da sinalética das massas. Telas de grandes dimensões (100 x 140 cm) onde a linguagem publicitária, não deixa de estar presente, seja no formato dos objectos, seja na paleta cromática utilizada. Out series é um convite à imaginação e propõem uma desconstrução de um estado convencional para uma dimensão criativa. O autor procura desbravar os caminhos da pintura e do desenho através do destaque da mancha gráfica como uma alternativa possível de exploração.
João Noutel é licenciado em Direito e pós-graduado em Desenho e Técnicas de Impressão pela Universidade do Porto. É autor de diversas publicações e projectos temáticos.
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| You are my Fado, 2011. Foto: Marta Azevedo |
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| Decision, 2011. Foto: Marta Azevedo |
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| A Noiva, 2011. Foto: Marta Azevedo |
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Novas Exposições em Galerias de Arte de Lisboa
Depois das famosas "Inaugurações Simultâneas" da zona de Miguel Bombarda do Porto, chegam-nos ao IRMANARTE informações de novas inaugurações, desta vez em galerias de arte da capital: Lisboa. Segundo ditas indicações, ao longo desta semana quatro galerias de arte inaugurarão novas exposições, três delas patentes até Janeiro de 2012.
Seguindo uma ordem cronológica, a Galeria ALECRIM 50 será a primeira em inaugurar mostras esta mesma tarde (8 de Novembro de 2011), com uma proposta do artista plástico Tomás Colaço denominada "Baseado em Factos Reais II". Nesta mostra, este artista lisboeta apresentará a obra resultante da uma Residência Artística feita no Rio de Janeiro, através de obras pictóricas, ready made e objets trouvés carregados de crítica à legitimidade de poderes e onde a proposta visual pretende ser "historicista, torcida e deturpada".
Na próxima quinta-feira (10 de Novembro de 2011) será a vez da Galeria Miguel Nabinho e da Galeria São Mamede. Na primeira, o artista plástico Rui Sanches, cuja obra esteve presente na última exposição colectiva desta galeria, apresentará as suas mais recentes criações numa mostra individual intitulada "Porta Entreaberta". Nela prevê-se que o artista apresente os já tradicionais volumes orgânicos e antropomórficos derivados da sobreposição de placas de madeira ou derivados desta, misturados com estruturas de metal ou elementos em vidro. Por outro lado, na segunda mostra a inaugurar esta quinta-feira, neste caso na Galeria São Mamede, a pintura será a grande protagonista das salas de exposição. Concretamente, será o pintor de origem espanhola González Bravo o autor das pinturas a expor. Pinturas estas onde se misturam elementos expressionistas e informalistas.
Relativamente às duas últimas exposições, estas terão lugar na mesma galeria - Galeria Valbom - e serão apresentadas na próxima sexta-feira (12 de Novembro de 2011). Na primeira delas, de escultura, o artista plástico conhecido por manusear com perícia a moto-serra - Paulo Neves - dará a conhecer os seus últimos trabalhos resultantes da manipulação da madeira e da pedra. Relativamente à segunda exposição, que neste caso será de pintura, David de Almeida, reconhecido pintor/ gravador originário de São Pedro do Sul, apresentará uma selecção de obras onde se prevê a predominância dos tons escuros da pintura e de relevos profusos na superfície dos suportes.
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Inaugurações Simultâneas no Porto
Hoje falamos de galerias de arte... Ao longo de toda esta semana foram chegando ao IRMANARTE várias notícias relativas a novas inaugurações previstas para amanhã (5 de Novembro de 2011) nas galerias de arte da famosa Rua Miguel Bombarda, no Porto.
Tal como referiam há cerca de dois meses atrás os nossos colegas de proyectochapa.com, esta vaga de novas inaugurações diz respeito às já conhecidas inaugurações simultâneas organizadas pelos galeristas da zona para promover os seus artistas.
Tal como referiam há cerca de dois meses atrás os nossos colegas de proyectochapa.com, esta vaga de novas inaugurações diz respeito às já conhecidas inaugurações simultâneas organizadas pelos galeristas da zona para promover os seus artistas.
Para ir adiantando um pouco o previsto para amanhã, no IRMANARTE seleccionámos um conjunto de exposições que nos parecem desde já interessantes:
Galería 111 - O pintor lisboeta Martinho Costa apresentará uma vez mais a sua já conhecida e "itinerante" colecção de pintura figurativa intitulada "O Diário de Robert Stern".
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| Martinho Costa |
Galería AP ARTE - O pintor portuense João Noutel propõe uma selecção de trabalhos denominada "Out Series". Com texto introdutório de Valter Hugo Mãe e um argumento próprio carregado de crítica social, a exposição espera-se cheia de ironia e metáfora.
Galería Arthobler - O artista plástico Carlos No propõe-nos uma instalação com o título "Morro", onde se espera ver o seu já conhecido activismo humanitário e crítica à injustiça social.
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| Carlos No |
Galería Nuno Centeno - Através da sua mostra "The low ride pleasure", o artista plástico Pedro Magalhães, conhecido fundamentalmente pelos seus trabalhos fotográficos, propõe-nos um conjunto de obras ao mais puro estilo "tunning amateur".
Galería Presença - O lisboeta Isaque Pinheiro anuncia-nos uma das suas já tradicionais instalações compostas por objectos carregadas de pura ironia surrealista, cujo título é "Mão Livre".
Galería Serpente - A pintora Rita Melo propõe-nos uma selecção de "Pinturas (Ultra) Passadas", onde uma vez mais poderemos ver o seu colorido realismo em pinturas com uma forte mensagem crítica contra a globalização.
Galería Quadrado Azul - Com uma exposição póstuma, o recém falecido Ângelo de Sousa será homenageado pela sua galeria, através de um conjunto retrospectivo de obras pictóricas "Pré-86 e Pós-86".
Galería Trindade - Catarina Garcia, artista plástica lisboeta, propõe-nos uma viagem pelo seu "Sonho imaginado", onde uma vez mais o desenho será a sua forma de expressão.
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| Catarina Garcia |
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Comissariado colectivo on-line: La Exposición Expandida
Não há dúvida de que a internet é o futuro da comunicação no âmbito artístico. Na mesma semana em que a Tate Modern de Londres anuncia a sua nova modalidade de exposições on-line a partir de 2012, em Espanha, um grupo de profissionais da Historia da Arte dedicadas, entre muitas outras coisas, à redacção de blogs sobre arte, surpreende os meios artísticos on-line com a apresentação de um curioso projecto de comissariado colectivo 2.0 denominado: La Exposición Expandida.
Foi há uma semana atrás… Um grupo de cinco colegas de profissão provenientes de cidades do norte a sul do país (Espanha), decidiram pôr em prática um interessante projecto de comissariado colectivo on-line através dos seus próprios blogs. Segundo lemos na página do projecto, a ideia surgiu como forma de contestação às frenéticas e descontroladas práticas museológicas dos últimos anos, onde a "qualidade do conteúdo expositivo se mede pela repercussão mediática", eliminado aspectos fundamentais para o entendimento dos conteúdos expositivos como o diálogo e a comunicação entre a obra e o público. Desta forma, e baseadas no princípio de que a museologia é "um dos mais importantes utensílios de diálogo e conscienciação que dispõe o museólogo para com a comunidade" (Marc Mauré), estas cinco comissárias 2.0 resolveram recorrer aos blogs e às redes sociais para organizar e comissariar as suas próprias exposições, sem necessitar recorrer a salas físicas de museus ou instituições. Assim, usando plataformas como Facebook e Google Docs, e assentes num tema comum para as exposições - A cidade como espaço social, o património, a arquitectura, a arte urbana e os espaços abandonados - estas historiadoras de arte decidiram elaborar um programa de inaugurações sucessivas às quais não só se pode aceder livremente para ver, mas também para participar activamente na sua "expansão" através de comentários, perguntas ou sugestões.
De momento, o projecto vai já pela segunda "sala/blog" e pretende continuar durante as próximas semanas.
As esposições já inauguradas são as seguintes:
(Desde IrmanArte queremos dar la enhorabuena a estas compañeras de profesión por la originalidad de esta iniciativa y desearles suerte para las próximas inauguraciones)
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