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Laura Piñeiro, entrevista em cinco "pespontos"


Esquerda: Sem título 50x70, Fotografia.
Direita: "(re) construyendo (me)",
Transferível sobre tela e fio.
Entrevistamos Laura Piñeiro, uma jovem artista multi-disciplinar nascida em Pontedeume (Corunha,Galiza), cuja obra, carregada de elementos evocativos das "tarefas tradicionais femininas", não deixa ninguém indiferente.
Licenciada em Belas Artes pela Universidade de Vigo e investigadora no campo da escultura contemporânea, Laura Piñeiro é parte desse grupo de artistas plásticos que continuam a questionar e a denunciar o ainda bastante deficitário relevo da mulher no âmbito da arte.

Jugada a 3 Bandas: Lista de Galerias e Curadores

Depois de um longo período de inatividade no nosso blog devido a problemas técnicos, regressamos à rotina editorial através da atualização de uma notícia anteriormente publicada no IRMANARTE. Referimo-nos ao projeto Jugada a 3 Bandas: galerias de arte + comisarios + artistas, que recentemente anunciou a lista de galerias e comissários que participarão no projeto. 

Relembrando o que mencionamos anteriormente, a edição de 2012 de Jugada a 3 Bandas, cuja inauguração está marcada para o próximo dia 14 de Abril, terá Portugal como país convidado, o que explica a procedência lusa da maioria dos artistas e comissários presentes nesta inauguração simultânea de exposições na capital espanhola. 
Segundo Virginia Torrente, diretora artística de J3B, a escolha de Portugal deve-se, em grande parte, à necessidade de "criar uma maior repercussão e visibilidade internacional entre o trabalho de galerias, comissários e artistas peninsulares" abrindo desta forma as portas ao país vizinho (Portugal), do qual, afirma "parecemos não prestar muita atenção". 
Tal como adiantávamos igualmente na notícia anterior, J3B 2012 contará com a participação de um total de 16 galerias de arte madrilenas, além de um grupo de comissários independentes, dos quais não conhecíamos nem os nomes, nem os seus respetivos trabalhos. Por este motivo, atualizamos esta notícia com a lista de galerias e comissários participantes, da qual fazem parte dois espaços independentes cujo trabalho se centra na curadoria de artistas em residência, algo de alguma forma novo na cidade de Madrid:  

Galeria Arana Poveda - Oscar Alonso Molina 
Galeria Blanca Berlín - Nerea Ubieto 
Galeria Cámara Oscura - Cláudia Camacho 
Galeria Distrito Cuatro - Mariano Navarro 
Galeria Elba Benítez - Ricardo Nicolau 
Galeria Eva Ruiz - David Armengol 
Galeria Espacio Valverde - Chiquinho Guimarães 
Galeria José Robles - Eduardo Hurtado 
Galeria La Fresh Gallery - Guillermo Espinosa 
Galeria Liebre - Tânia Pardo y Cristina Anglada 
Galeria Madismad - Roberto Vidal y Luján Marcos 
Galeria Moriarty - David Barro y Maria de Fátima Lambert 
Galeria Raquel Ponce - Virginia Torrente 
Galeria Rita Castellote - Horacio Basilicus 
Galeria The Goma - José Castañal 
Galeria Travesía Cuatro - Luiza Teixeira de Freitas y Thom O'nions 

Espacio Independiente FelipaManuela - Susana Bañuelos y Andrea Pacheco 
Espacio Independiente Noestudio - Noestudio 

A inauguração simultânea do dia 14 de abril, por sua vez, terá início às 12h e prolongar-se-á durante toda a tarde até às 20h30. Ao longo desta jornada de apresentação de trabalhos, os visitantes poderão percorrer as diferentes galerias da cidade, traçando e escolhendo o seu próprio percurso.
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Após "Memória e Destruição"...*

(...) Do outro lado do jardim, uma segunda terra coincidiu com este tecido de alternatividade, a casa nº 66, Praceta do Jardim de S.Lazaro, exposição de Fernando Sebastião “Não há propostas criativas”. O edifício em remodelação onde vários artistas e outros têm vindo a instalar os seus ateliês. Em exposição encontravam-­se dois trabalhos: Meio calendário de 2012 e Vala comum. 

Vala comum aproveita a estrutura arquitectónica em transformação, um ateliê partilhado por três artistas plásticos, sapatos vagueiam, neste cenário de escombros: o que pode restar da finitude humana? Sapatos... Movimentam-­se e têm a sua própria vida, não se sabe para onde vão, electrizados por um motor são o reflexo dos dias de hoje...”Traçam percurso sinuosos ou até tortuosos a que todos estamos sujeitos.” (F.S.)  
Meio calendário de 2012 – Objecto que obriga a uma rotina onde se encontram registos fotográficos, realizados por Fernando Sebastião, a jovens artistas, estudantes e outros, nos seus ateliês, tendo diferentes tipos de “trabalhos que não só a produção artística”, para poderem fazer face às leis da sobrevivência. 


-IRMANARTE - Porquê "Meio calendário" e não um calendário? 
-F.S. -­ “O calendário de parede sempre foi um "meio" pobre enquanto veículo de imagens, nem sempre associado às melhores práticas ou mensagens, ocupando um lugar mais ou menos marginal, por exemplo os calendários com mulheres nuas, pendurados em muitas oficinas, barbearias e camiões portugueses. Este comporta em si uma carga de esquema/grelha organizativa, que se impõe como matriz onde tudo tem de encaixar. Trabalha-­se de "tantos a tantos"; recebe-­se dia "tantos";; até ao dia não sei quê... tem que se pagar a electricidade, depois a água e etc...despesas e mais despesas. Uma série de obrigações e pressupostos a que os artistas não estão ilesos encaixando-­se perfeitamente nesta história da condição do jovem artista na actualidade. Meio-­calendário – “porque estamos em crise, e não há financiamentos a longo prazo nem orçamentos avultados. Assim faz-­se metade agora, se vender, faz-­se a outra metade. Também não se podem fazer grandes planeamentos a longo prazo, por isso, metade de meio calendário, chega!” (fernandosebastiao.net) 

"Memória e Destruição", percursos alternativos no Porto.


 A terra de ninguém / Nobody Land / A new body land
"Tempo de antes e tempo de agora"
"E tudo é tempo agora"
(T. S. Eliot -­ Quatro Quartetos BURNT NORTONT, parte III e parte V)

O “património arquitectónico” sucede-­se ao “património humano”. Ilhas, o casario, território abandonado mas populado por pessoas que entram e saem de pequenas mercearias, “tascas” e, simultaneamente, permanecem quietas nas soleiras das suas portas saboreando o sol de Inverno e as escarpas do Rio Douro.
Circuitos artísticos alternativos rompem na paisagem. Na “terra de ninguém”, para lá das muralhas fernandinas, (onde outrora se iniciou o alargamento da cidade): Fontainhas, Bonfim, Jardim de S. Lázaro, Avenida Rodrigues de Freitas...Movimentos circunspectos serpentearam a casa número 295, na mesma Avenida, no dia 28 de Janeiro de 2012, com a apresentação da exposição: Memória e Destruição. 
Um colectivo de “diversas áreas artísticas” reuniu alguns dos seus trabalhos com o fim de os expor num espaço desabitado – casa com um piso térreo, uma espécie de loja ladeada por dois vãos de acesso, seguindo-­se os três pisos e os dois últimos marcados por varandins, com uma fachada guarnecida, por um aparelho petreo e azulejo monocromado azul e no seu interior... o passado, o presente e o futuro... 
Na “memória” destes artistas ficaram as paredes revestidas a papel colorido, lembrando outras épocas, o chão de linóleo, móveis, o cheiro a mofo, a sujidade e o entulho. O efeito da “destruição” dirigida por este colectivo deu lugar a um novo espaço e a um novo tempo. Demolição, deslocação, pintura, transformação que deixou resíduos do que foi e o seu ressurgimento. 
Na exposição teceram-se várias linhas entre a tradição e a actualidade. Os fios escultóricos conduziram à verticalidade do edifício, transmitindo um carácter de unidade, entre as várias obras, (instalação realizada pelos Bafo de Peixe, do Piso Térreo ao Piso 3). Não se construiu a “pausa” mas sim, o sentido da sua presença como em qualquer lugar habitado: A pauza de Patrícia Cardoso. Escutaram-se passos de renovação nos registos fotográficos e na sua dissolução, que preencheram corredores e salas, como foi o exemplo das fotografias de Tiago Casanova a partir de negativos estragados – Lost Found and Vice Verça (piso 3), continuando da realidade para irrealidade, completaram-se com os trabalhos Luís Azeredo Ilhas de sabor Tropical (piso 2) e José Pires, Suposição de memórias (piso 0). 
A música surgiu por toda a parte: Dj’s Blast, Illegal, Thundercuts,Das Monstrum, a que se juntou o grafitti proposto por Maniaks e colectivo Rua, numa das salas (Piso 1) – Memória destrutiva – envolve toda a parede onde permanecem os vestígos de desfragmentação. O tema encara acumulação de lembraças e construções evidentes que povoam o cérebro e sua constante necessidade de as romper e partir do zero.
Os desenhos da cidade tornam-se ausentes, apenas esquiços, em Memórias da Cidade, de André Cardoso, porque nada é tido como certo neste lugar que convida à (des)construção, instalação de Maria Tabulo e Sara Ribeiro, apelando ao público para uma nova edificação, recorrendo a caixotes, molde para a construção de um novo mobiliário ou de um objecto escultórico, quem sabe, material pronto a ser trabalhado. 
Uma luz em trajectória contrasta com a parede branca, pintura de Gil Madeira, número 295, primeiro esquerdo, opondo-se a as coisas de Patrícia Figueiredo num enredo figurativo. 
Materiais pobres, reutilização de objectos como os vinis dos Maniaks e esculturas em cartão do colectivo Rua (Piso 1 e 2) perfazem os corredores seguindo-se as Ilustrações de Don´t Love (Piso3). 
Escutam-se silêncios, dois amantes, num amparado desequilíbrio, que quase que se tocam, entre o fogo e volatilidade do branco, obra Leda e o Cisne (Instalação de Maria Tabulo, Piso 3), convida à intimidade e ao perigo de uma destruição eminente. 
“No seguimento de um corredor encontra-se uma sala onde jazem as cinzas, restos duma obra e uma espécie de mausoléu sobre um plinto perpetua um nascimento, From de same they became another, instalação de Hugo de Almeida Pinho… 
No culminar desta exposição, o fim, num contínuo movimento, nas águas furtadas apresenta-se um cenário que podia ser uns minutos após a guerra: um quarto em permanente mudança (um estendal, um colchão, e um armário) e uma infinita luz completa a instalação Le champ, (Hugo de Almeida Pinho) um enquadramento fotográfico (a sala de pintura das FBAUP, palco da procura que corrompe a narrativa de anti-territorialidade). 
A exposição teve a duração, exactamente, de um dia… para que a memória não “congelasse o tempo” (Instalação de Maria Tabulo, Reprodução, Piso 3) dando espaço à sua destruição, e para que o momento vivido pelo público fosse uma variável constante da experiência, que não se repete, do “aqui e “agora” com que é possível cruzar a obra de arte. Múltiplas terão sido as sensações dos visitantes. 
A divulgação do evento teve um período muito curto, tendo-se utilizado meios como o cartaz e a internet. Para todos os artistas que participaram foi uma surpresa a adesão das pessoas que ali chegavam. A casa estava cheia, com um programa diversificado que durou até à meia-noite. 
Memórias e Destruição perpetuar-se-á pela cidade indo ao encontro de caminhos semelhantes…

Vídeo das intervenções disponível na secção Favoritos da nossa página YouTube.

Novas Inaugurações Simultâneas no "Quarteirão das Artes" do Porto

No passado sábado, 21 de Janeiro de 2012, assistimos a mais uma jornada de Inaugurações Simultâneas na famosa Rua de Miguel Bombarda do Porto. Como sempre acontece nestes dias, o evento contou com bastante animação, muitos visitantes e, claro está, muitas propostas criativas por parte das galerias e dos respectivos artistas. Uma vez mais passámos por lá e seleccionámos aquelas mostras que nos parecem mais interessantes. Aqui vai um breve resumo… 

Cartaz das Inaugurações Simultâneas. Foto: IRMANARTE

Começando por uma das Galerias mais veteranas da cidade, a Galeria 111, deparámo-nos com uma interessante exposição do artista lisboeta, nascido em Moçambique - Pedro Gomes - intitulada "Id". Nesta mostra, a temática derivada de imagens quotidianas do mundo do consumo escolhida pelo artista, ajuda a reflectir em torno à ideia freudiana do Ego e sobretudo da fantasia derivada do exercício da ficção como necessidade humana indispensável. 
Na Galeria AP'ARTE foi possível assistir a uma dupla inauguração. A primeira delas foi a do artista plástico Nuno San-Payo, filho do famoso fotógrafo do mesmo apelido, intitulada: "Incursões Pictóricas"; onde este artista, contrariando a ideia do "big is beautiful", apresentou uma selecção de telas de reduzidas dimensões ("mais apropriado à crise", afirma), povoadas de figuras humanas retratadas "no anonimato e sem espectáculo…" Numa tentativa de realçar os gestos e as atitudes convencionais do indivíduo. A segunda destas exposições deveu-se, por sua vez, à pintora Silva Lima que, com uma exposição intitulada "História D'uma Vida", retratou estados de alma, histórias e recordações pessoais, num conjunto de composições pictóricas formadas por fragmentos de imagens estrategicamente colocados no conjunto, recriando desta forma um ambiente universal e poético. 
"From Florence with Love" do pintor Jules Maidoff foi a proposta apresentada pela Galeria Arthobler para este dia. Nesta mostra, Maidoff, reflectindo orgulhosamente as suas raízes russas e judaicas, recriou um universo irreal pontilhado de referencias directas à tradição humanista europeia, onde cada tela, através dos personagens retratados, narra uma historia diferente. 
Algo diferente à pintura de Maidoff foi, no entanto, a proposta apresentada pela famosa Galeria Fernando Santos. Desta vez, o seu amplo espaço expositivo enche-se de um conjunto de obras recentes do veterano artista conceptual português Gerardo Burmester, intitulada: "2011, Alguns Trabalhos Revisitados". Burmester, percursor do conceptualismo e da performance durante a década de 70 do século XX e membro de grupos artísticos como Puzzle e ex-director do Espaço Lusitano do Porto, propõe-nos uma aproximação às técnicas e materiais utilizados desde sempre nas suas obras, através de uma selecção de trabalhos de marcado minimalismo. 
Completamente distinto é, no entanto, o trabalho apresentado por Daniel Melim na Galeria Nuno Centeno. Nesta mostra, Melim produz um conjunto de obras pictóricas usando uma técnica inovadora e peculiar baseada na representação de objectos sobre uma película transparente ("perecida às bóias da praia", afirma), cujo processo de execução faz lembrar um perspectógrafo renascentista. O resultado são acetinadas telas que recordam o brilho do papel fotográfico, onde as figuras anteriormente pintadas na película transparente são realçadas por um fundo de azul plano previamente pintado na tela. 
Na Galeria Presença, por outro lado, a proposta apresentada foi uma exposição monográfica da jovem artista Mafalda Santos que, vivendo entre o Porto e Nova Iorque, desenvolveu um conjunto de trabalhos intitulado: "On Revolution". Baseando-se no termo revolução e analisando a evolução do seu significado ao longo da história, ao mesmo tempo que faz uma clara referencia ao livro On Revolution (1963), Mafalda Santos desenvolveu nesta exposição um exercício de memória histórica em alusão à importância de documentos históricos como a Declaração Universal dos Direitos do Homem ou a Declaração de Independência dos EUA, cuja importância, entende-se, merece ser ainda mais realçada nos momentos que correm. O resultado desta reflexão é, portanto, um conjunto de trabalhos compostos de elementos geométricos e gradações de cor, que, associadas às palavras, produzem uma experiência visual sinestésica.  
João Queiroz, por sua vez, preparou-nos um interessante clássico para a Galeria Quadrado Azul. Nesta mostra, Queiroz, que além de artista também é filósofo, apresentou-nos uma selecção de trabalhos de pintura paisagista realizados recentemente, onde a sua tradicional mancha pictórica dá lugar a uma pincelada expressiva de cores puras, recordando o universo técnico do Impressionismo. 
Finalmente, na Galeria Serpente, Bruno Côrte foi o responsável de executar a peculiar exposição composta de obras de pintura e desenho sobre tela intitulada: "Herbarium Oficinalis". Nesta mostra, este artista madeirense recorre a descrições técnicas como a do botânico Luis Oliveira Maia, para "legendar" as "estampadas" flores que povoam a suas telas. Ditas descrições, recordam-nos a origem natural destes seres vivos, cuja essência de vida se perde na repetição da sua imagem em papéis e tecidos decorativos. 


Consulte a reportagem fotográfica das inaugurações na nossa página do Facebook.

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Novo Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda em Matosinhos

Boas notícias em tempos de crise. A área metropolitana do Porto conta com um novo centro de arte moderna inaugurado ontem, 14 de Dezembro de 2011, na cidade de Matosinhos. Trata-se do Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda, o primeiro centro desta instituição fora do território espanhol, e que resulta de um projecto de desenvolvimento cultural levado a cabo pela Câmara Municipal de Matosinhos designado M2C - Mar + Movimento + Cultura. 

Cave do edifício da Câmara. Foto: Câmara Municipal de Matosinhos

Acompanhados de protestos populares que nada têm a ver com o Centro de Arte, mas sim com o actual estado de turbulência social devido à crise económica, o actual primeiro ministro português Passos Coelho, acompanhado de um dos anteriores presidentes do governo espanhol José María Aznar e do presidente da Câmara Municipal de Matosinhos - Guilherme Pinto -, inauguraram ontem o novo Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda. 
Este novo espaço, que custará ao Concelho cerca de 150 mil Euros por ano, ocupa, de momento, a antiga cave do edifício da Câmara Municipal de Matosinhos, destinado desde sempre a feiras e mostras temporais. "No futuro", segundo o autarca Guilherme Pinto, este centro será trasladado a um dos edifícios mais relevantes da antiga zona industrial da cidade (agora no centro da urbe) - a antiga Real Vinícola - um grande edifício dos inícios do século XX, actualmente em remodelação. 
A presente colecção que este novo centro de arte moderna alberga conta, de momento, com pouco mais de uma centena de obras de grande relevância na história da arte do século XX. Nomes de artistas portugueses como Noronha da Costa, Alberto Carneiro, José de Guimarães e Nikias Skapinakis; acompanhados de nomes internacionais como Joan Miró, Antoni Tàpies, Pablo Serrano ou Antonio Saura, figuram nas paredes deste novo espaço que, segundo o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Matosinhos - Fernando Rocha - contará futuramente com obras de Picasso, Rembrandt e outros. 
Este novo centro organiza-se assim em três núcleos expositivos: uma pequena colecção de 16 obras em forma de antologia, que representa a última fase da produção artística do pintor madrileno Gerardo Rueda; uma exposição permanente, composta por uma centena de obras pertencentes à colecção Gerardo Rueda; e um espaço para exposições temporais: actualmente ocupado com a mostra "Noronha da Costa: a transformação da imagem". 
O presente Centro de Arte Moderna, juntamente com a vizinha Galeria Municipal, "filial" do prestigiado Museu de Arte Contemporânea de Serralves do Porto, consolidam a presença de Matosinhos na rota da arte moderna e contemporânea, não só da área metropolitana do Porto e do resto do país, mas também internacional. Esta nova instituição permitirá assim um maior intercâmbio com o país vizinho, efectivada através de exposições temporais em ambos centros (Madrid e Matosinhos), como é o caso da prevista mostra de autores portugueses - Augusto Gomes e António Carneiro. 

O novo Centro de Arte Moderna Gerardo Rueda de Matosinhos pode ser visitado de Terça a Domingo das 13h às 19h.

Cave do edifício da Câmara. Foto: Câmara Municipal de Matosinhos
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Concurso de Curadores Independentes (CCI) da Plataforma Revólver

Atenção profissionais da cultura e não só! Despois de iniciativas como La Exposición Expandida, IRMANARTE traz-vos uma vez mais uma oportunidade de realização de projectos culturais no âmbito da arte contemporânea. Neste caso, trata-se de um concurso de curadoria criado pela Plataforma Revólver para a Arte Contemporânea: CCI (Concurso de Curadores Independentes). 


A Plataforma Revólver é uma associação privada, independente e sem fins lucrativos, que visa promover a arte contemporânea através da organização de exposições e residências artísticas a nível internacional. Nascida em 2006, esta plataforma tem-se afirmado como uma entidade de primeira linha no contexto da divulgação e ajuda à promoção da arte contemporânea no contexto, não só nacional e lisboeta, mas também internacional. Desta forma, e seguindo a mesma linha de actuação centrada nos seus princípios básicos de estimulação da criação; desenvolvimento da cultura cívica e pluralismo, a Plataforma Revolver propõe uma novidade nas suas modalidades de promoção: um concurso destinado a curadores independentes que pretende envolver curadores em actividade individual ou colectiva. O concurso tem como objectivo a realização de uma exposição colectiva a realizar em Setembro de 2012 e está aberto, não só a profissionais da cultura, mas também a todas aquelas pessoas que não sendo profissionais da cultura desejem participar. A montagem, a organização e a publicação do catálogo serão responsabilidade da Plataforma Revólver. Para participar, os curadores devem enviar os seguintes documentos para o e-mail plataformarevolver@gmail.com, especificando no assunto: "Concurso Curadores Independentes CCI": a biografia do curador ou colectivo de curadoria; uma sinopse do projecto (700 caracteres) e os C.V. dos artistas convidados (mínimo cinco artistas). O júri, por seu turno, estará composto por profissionais do âmbito artístico e académico como Pedro Cabral Santo (Artista Plástico e professor na Universidade do Algarve); Victor Pinto da Fonseca (Director da Plataforma Revólver) e João Silvério (Curador do projecto EMPTY CUBE). As candidaturas devem ser enviadas até ao dia 30 de Novembro de 2011 e os resultados da selecção serão publicados no dia 18 de Dezembro de 2011. Para mais informações, a plataforma indica-nos o seguinte contacto: Ana Sena ou Patrícia Trindade (+351 213433259) 

Sorte aos participantes!

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Livro: The $12 Million Stuffed Shark. Uma investigação sobre o alto mercado da arte contemporânea

Hoje queremos recomendar-vos um livro que, apesar de ter sido editado em 2008, continua a dar muito que falar no mundo da alta economia da arte. Falemos de Don Thompson e o seu livro "The $12 Million Stuffed Shark: The curious economics of Contemporary Art". 



 "Qualquer um pode adquirir uma licença e converter-se em marchante. 
Não existe nenhum requisito, prova ou certificado." (Don Thompson)

Partindo de uma amena explicação do caso de um banqueiro multi-milionário que investe 12 milhões de dólares no cadáver de um tubarão em descomposição dentro de uma tina, Don Thompson desenvolve um admirável trabalho de investigação sobre o alto mundo dos negócios das galerias de arte de marca e de grandes leiloeiras como Sothby's e Christie's. Mundo este que, tal como questiona o próprio autor - "Se o negócio da arte moderna é sério, porque é que parece gozo? -, está repleto de redes de interesses e estratégias de marketing que inflam de tal forma o mercado ao ponto de que as obras chegam a alcançar preços exorbitantes. 
Longe de criticar o comércio primário das galerias de arte de pequeno tamanho, ao qual chama "comércio sério", o autor vai relatando as suas experiências como investigador durante o ano de 2006, ano em que, como explica: "os preços recorde foram alcançados num leilão de 131 artistas contemporâneos; num período de seis meses, quatro quadros venderam-se por mais de 100 milhões de dólares cada um". Usando os casos de artistas como Damien Hisrt, Andy Warhol, Basquiat ou Francis Bacon, Thompson examina a economia e a psicologia da arte, os marchantes (como Larry Gagosian) e os leilões. Assim como "o dinheiro, a cobiça e a vaidade da possessão", tão importantes no mundo da arte contemporânea. 

Don Thompson é economista e professor de Ciências Empresariais, além de especialista em arte. É co-autor de livros sobre marketing e economia que foram traduzidos em seis idiomas. Vive actualmente entre Londres e Toronto. 

Referência bibliográfica (Edição em inglês): THOMPSON, Don - The $12 Million Stuffed Shark:The curious economics of Contemporary Art. Palgrave MacMillan, 2008.
Referência bibliográfica (Edição em espanhol): THOMPSON, Don - El Tiburón de 12 Millones de Dólares: la curiosa economía del arte contemporáneo y las casas de subastas. (Trad. Blanca Ribera). Ariel. Barcelona, 2009.

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